A suspensão das grandes obras públicas, como lhes chamam, o novo aeroporto, a terceira travessia do Tejo e o TGV, são a vitótia do PSD e do CDS, cerca de 6 meses após uma derrota eleitoral.
A partir de agora fica demonstrado que as campanhas eleitorais, os programas, os argumentos económicos e sociais não servem, de facto, para nada.
A partir de agora qualquer notícia sobre o desmantelamento dos serviços públicos de saúde e educação, ou a alteração das regras da segurança social, será recebida com a indiferença de quem já não se importa.
Para quem, como eu, defendeu activamente a vitória do PS, é muito difícil perceber que a crise pode explicar o que se está a passar. Portugal voltou a ser aquele país em que se vive o dia a dia sem horizontes. Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva estão de parabéns.
O PS perdeu legitimidade eleitoral, por desfazer e desdizer tudo o que disse e quis fazer na legislatura anterior. Vamos arrastar-nos até às eleições presidenciais, protagonizadas por figuras do passado, sem qualquer capacidade para devolver a esperança a uma boa parte da população. Cruzam-se frases feitas e os bastidores fervilham com o poder que se avizinha, depois de Cavaco Silva iniciar o segundo mandato.
E assim nos vamos entretendo com o vulcão, o Benfica e as contas por pagar. A vida continua e, apesar de Maio estar chuvoso, o Verão já não tarda.
COMENTÁRIO AO POST DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS- "SUSPENDAMOS"
ResponderEliminarO texto de Pedro Adão e Silva, que cita, tal como Porfírio Silva também o fez, num claro aplauso, anota uma falta de rumo Estratégico, do actual Partido Socialista. Do meu ponto de vista, o texto alimentou um tom de “lamento”, que tenho por menos adequado.
Diria mesmo, “Não Suspendamos”.
Não nos “Suspendamos”.
01- A falta de uma esclarecida posição sobre o Investimento Público, por parte da actual Direcção do Partido Socialista, não é de agora e vem de longe. Situa-se no momento em que abandonou o “Projecto Ota”, cedendo ao Conservador Cavaco Silva, aliado, e conluido, com os Maximalistas, bloquistas, alegristas e gente na orla do PCP. Foi um erro de Política Económica, e, sobretudo um clamoroso erro Político. Ao ceder à frente acima referida, o 1º Governo de Sócrates, do Partido Socialista, tirou o tapete a todas as Reformas em Curso e ao processo de Modernização, que parecia ter adoptado.
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02- Com uma Esquerda enfraquecida, relegada para segundo plano, marginalizada, no seio do Partido Socialista, foi fácil aos Maximalistas subirem de parada, no esfacelamento pretendido do Partido, e, não hesitaram e passaram à calúnia e à difamação, que pairava no ar, desde 2003.
03- Do meu ponto de vista, a Esquerda, terá que se centrar, no futuro imediato, na defesa e promoção das seguintes linhas gerais:
a)- O reforço das “Liberdades, Direitos e Garantias, Individuais”, alterando o terreno onde medra a calúnia e a difamação;
b)- Uma crítica radical à Doutrina Corporativa, que informou e moldou o Estado Novo, salazarento, e que alimenta ainda posturas de vários Sectores Profissionais, e de muitos Dirigentes Sindicais;
c)- Uma esclarecida visão sobre o conceito de Excedentes Gerados pela Actividade Económica, que urge incrementar para libertar fundos, amplos, que permitam um árduo combate à pobreza e à descriminação social, alimentem Prestações Sociais e Investimento, o que exige medidas fortes, impulsionadoras da Produtividade e Competividade;
d)- Uma Política sem tibiezas, na Educação, Saúde, Justiça e Desburocratização, na senda da Qualificação e da Racionalização do uso das infraestruras, materiais e humanas;
e)- Uma Política de Alianças, consistente e clara, transparente, pondo fim ao oportunismo, à oscilação e a uma imagem de “catavento”;
f)- Uma Política muito mais activa no que reporta à Construção da União Europeia, que muito condiciona a Política de Alianças.
Nesta base de partida refiro:
I- O eventual apoio à Canditura Presidencial de Alegre, visando impedir um sucesso fácil ao Candidato do Conservadorismo arcaico, Cavaco Silva; terá de ter lugar no quadro acima de seis pontos, de a) a f).
II- Tudo indica que a incapacidade de Sócrates para criar condições para surgir um Candidato Presidencial ganhador, vai implicar o fim do “consulado” Sócrates.
III- A Esquerda terá que ter o engenho, a arte e a ousadia no preparar uma nova Geração de Políticas Sociais, e terá de se re-centrar na defesa intrangitente do Estado de Direito e, em particular na defesa e reforço das “Liberdades, Direitos e Garantias, Individuais”, como pertença e tradição histórica dela, Esquerda.
IV- A Esquerda não mais pode pactuar com o Populismo e a Demagogia, sabendo, pedagógicamente, inflectir o “Senso Comum”, sem Oportunismos de qualquer teor.
V- Tudo terá de passar por uma Nova Declaração de Princípios do Partido Socialista, no reajuste às alterações económicas, políticas entretanto registadas na última década, ou seja, desde a Declaração de Princípios, vigente, marcada pelo ex-Secretário-Geral Eduardo Ferro Rodrigues
Penso, que no novo contexto, há espaço para retomar o “Projecto Ota” e com ele clarificar o entendimento a ter sobre o Investimento Público.
Cordiais e Afáveis Saudações Democráticas, Republicanas e Socialistas
ACÁCIO LIMA
Acácio Lima, obrigada pelas suas palavras de esperança. Não é fácil vislumbrar uma solução que passe pelo apoio a Manuel Alegre, sendo ele uma das vozes conservadoras dentro do PS. Estou de acordo que é preciso uma mudança geral à esquerda, a começar pelo recentrar dos princípios em defesa do serviço público, sem ceder a oportunismos e corporativismos.
EliminarAmanhã há-de ser outro dia.
em setembro os juros da dívida não estavam acima de 6% (bem pelo contrário) porque os especuladores não corriam atrás dela (ainda não tinham tido o susto dubai). as circunstâncias mudaram. o que é preciso é os mercados retomarem a normalidade para que as promessas sejam cumpridas. a última coisa que podemos dizer é que o sócrates é um mole. pressões como as que se vivem agora só no tempo do bloco central, e na altura, tal como agora, tivémos a sorte de ter alguém ao leme com nervos de aço.
ResponderEliminarEu sou um optimista por natureza e como o filósofo Condorcet , acredito no progresso contínuo da humanidade. Por isso quando vejo no meu país as pretensos gurus da sabedoria, aves agoirentas da desgraça, sob a capa diáfana do realismo, decretar a inviabilidade desta nação, tenho pena deles. Ou falam condicionados por ódios pessoais ou por um total desconhecimento da evolução histórica. Desconhecem que Portugal nasceu de um parto difícil e poucos acreditaram que iria sobreviver, mas sobreviveu. Muitos outros julgaram que não iria sobreviver a Aljubarrota, na sua adolescência, mas sobreviveu. Os velhos do Restelo diziam que não havia recursos para fazer o descobrimentos, mas fizeram-se. No século XIX vozes pessimistas peroravam contra os caminhos de ferro e fizeram-se. E muitos outros exemplos se podiam invocar.
ResponderEliminarAs Cassandras da desgraça, em Portugal, investem contra as obras públicas. São os seus moinhos de vento. Consideram-se génios e gurus da verdade. Para eles todos os políticos, são medíocres e corruptos.Acontece que alguns, também políticos, já tiveram responsabilidades governativas e não se lhes conhece, nesse âmbito, nenhum rasgo de genialidade. Dizem que não há dinheiro para investir e é preciso esperar, ficar quietinho. Mas caem numa contradição:se não se investe, não se produz, se não se produz não há riqueza , se não há riqueza não se pode investir. Como saem desta paradoxo? Com este tipo de raciocínio, recorrente em Portugal, não seríamos um país, nunca teríamos sido uma nação.
Somos uma nação por que D. Afonso Henriques, com poucos recursos, acreditou.D.Nuno Álvares Pereira, com reduzidos meios teimou. D.Henrique, D. João I, D. João II, D. Manuel, sonharam. Os conjurados de 1640 ousaram. A construção de um país não pode estar dependente de mentalidades tacanhas e obsoletas. A continuação de uma nação faz-se com realismo, mas também com risco, com ousadia, com coragem. É essa a matriz de Portugal . E é com essa matriz que Portugal é viável, no contexto europeu e no contexto ultramarino.
MG