11 fevereiro 2010

O PREC da direita*

 


Entre o 25 de Abril de 1974 (mais precisamente entre o 11 de Março de 1975) e o 25 de Abril de 1975 viveu-se, em Portugal, um clima de avassaladora intimidação para quem não comungasse da visão dos revolucionários.


 


Durante esse período quem ouvisse a rádio, visse a televisão, lesse os jornais, participasse nas famosas RGAs nas Escolas Secundárias, quem ouvisse os sindicatos, as comissões de trabalhadores, de moradores, de soldados e marinheiros e o MFA, ficava completamente convencido que caminhávamos a largos passos para uma sociedade totalitária, na esfera de influência da União Soviética. A música, o vocabulário, as manchetes, as acusações de fascista e reaccionário, tudo fazia crer na esmagadora maioria de votantes no PCP.


 


Com a surpresa de todos o PCP foi derrotado tendo-se seguido o PREC, altura em que o PCP e a extrema esquerda  tudo tentaram para subverter o resultado das eleições constituintes.


 


Tal como já aqui referi e como o Eduardo Pitta tão bem sintetizou num título de um post, vivemos neste momento o PREC da direita. Os métodos são idênticos e a intimidação de quem ousa dizer o contrário de quem mais grita, de quem mais fala, de quem mais defende a liberdade de expressão, é absolutamente extraordinária. Acresce que em Outubro o país se pronunciou votando maioritariamente no PS.


 


Mas tudo serve para dar a sensação de desvario, tal como aconteceu com o PREC de 1975. A forma irresponsável como se acusa o poder judicial de estar ao serviço do governo e de Sócrates, essa encarnação do maligno, como se incentiva o julgamento sumário pela populaça, guindando os jornalistas, tal como os militares durante o PREC, ao patamar dos deuses, faz-nos recuar 35 anos.


 


Tal como nessa época é preciso não perder de vista o essencial – a liberdade, a responsabilidade e o respeito pelas instituições democráticas. Porque é esse desrespeito que faz com que Portugal possa transformar-se num Estado de Direito formal, como demagogicamente afirmou Paulo Rangel, no Parlamento Europeu.

 


*Título roubado ao Eduardo Pitta


 

4 comentários:

  1. Zé dos Reis01:09

    NÃO EM MEU NOME
    Leio jornalistas e tribunos falarem do interesse público, do interesse do povo, do interesse do país.
    NÃO EM MEU NOME
    O meu interesse NÃO é fazer tábua rasa da lei. O meu interesse é que NÃO se violem segredos de justiça. O meu interesse é que os fins NÃO justifiquem os meios. O meu interesse é que s juízes decidam livremente e não peçam a sua cabeça quando decidem contra a opinião de alguém. O meu interesse é que os jornalistas NÃO tenham tratamento de excepção, reinvindicando que tudo lhes é permitido.
    Como parte do público de que querem definir o interesse, como parte do povo, como cidadão deste país, volto a dizer, NÃO EM MEU NOME.

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  2. Exactamente, Sofia. Manter a lucidez e ver o essencial - no meio do nevoeiro lançado por grandes máquinas, como nos palcos dos teatros com fantasia.

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  3. bettencourt de lima10:03

    Penso que a estridência ( no que se relaciona com o PSD) tem a ver com a constatação de que no final da disputa, teremos um líder » 32% que se arrastará penosamente até ás eleições contestado internamente. Nestas, terá um resultado entre os 26 e os 32 %,limite de um partido sem ideologia, sem espaço, e sem alma. Infelizmente.

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  4. bettencourt de lima10:10

    No final da disputa, teremos um líder » 32% que se arrastará penosamente até ás eleições contestado internamente. Nestas, terá um resultado entre os 26 e os 32 %,limite de um partido sem ideologia, sem espaço, e sem alma. Infelizmente.

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