09 agosto 2009

Cartão de eleitor

 


O Público não olha a meios para atingir os fins. Como órgão de informação, o jornal Público socorre-se de todas as artimanhas para confundir e fazer campanha contra o governo e o PS.


 


Hoje um dos títulos garrafais era: Cartão do cidadão vai afastar milhares dos concelhos onde querem votar, dando a entender que a existência do cartão de eleitor impedirá que os cidadãos votem na autarquia que quiserem.


 


Ora os eleitores não podem inscrever-se na autarquia que lhes apetece. Podem ser eleitores da autarquia em que se recensearam, segundo o nº 2 Artigo 239.º da Constituição Portuguesa - Órgãos deliberativos e executivos:




2. A assembleia é eleita por sufrágio universal, directo e secreto dos cidadãos recenseados na área da respectiva autarquia, segundo o sistema da representação proporcional.


 


O que, aliás, me parece totalmente correcto. Mas poderia existir a possibilidade de escolhermos a autarquia da nossa eleição para o recenseamento. Mas não é possível, pelo menos atendendo ao Artigo 9.º da lei do recenseamento eleitoral:

 


Local de inscrição no recenseamento

1 - Os eleitores são inscritos nos locais de funcionamento da entidade recenseadora correspondente à residência indicada no bilhete de identidade, ou, no caso dos cidadãos previstos no artigo 4.º, nos locais de funcionamento da entidade recenseadora correspondente ao domicílio indicado no título de residência emitido pela entidade competente.


 


Artigo 4.º - Voluntariedade - O recenseamento é voluntário para:


a) Os cidadãos nacionais residentes no estrangeiro;

b) Os cidadãos da União Europeia, não nacionais do Estado Português, residentes em Portugal;

c) Os cidadãos nacionais de países de língua oficial portuguesa, residentes em Portugal;

d) Outros cidadãos estrangeiros residentes em Portugal.)


 


Ou seja, o facto do cartão de eleitor nos colocar automaticamente na nossa freguesia de residência, poupando-nos a preocupação de a alterarmos quando mudamos de casa, é uma forma de reduzir a abstenção e não de a aumentar. Mas, mesmo que por isso não fosse, o cartão de eleitor apenas cumpre o que está na lei.


 


Se as pessoas que nasceram numa freguesia querem continuar a ter ligações com ela, não me parece que seja através do acto eleitoral.


 


Alguns responsáveis ligados à legislação eleitoral contactados pela Lusa reconhecem que é "injusto" o facto dos cidadãos serem obrigados a votar em determinado concelho, assumindo ser "um passo para o fim da liberdade, que é a residência obrigatória".


 


Gostaria muito que esses responsáveis explicassem a injustiça do assunto e que nos demonstrassem de que forma, e segundo a lei, não por causa do cartão de eleitor, tal é ou tem sido possível.


 


Nota: também aqui.

 

2 comentários:

  1. Boa noite Sofia,
    Também li esta "notícia" do Público mas já me falta a paciência para postar sobre tanta imbecilidade ainda bem que o fez.
    Achei delicioso o parágrafo sobre a impossibilidade dos eleitores votarem em autarquias onde já não vievem há "séculos" mas às quais estão ligadas afectivamente por laços familiares !
    Se o ridiculo matasse...
    Cumprimentos

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  2. Então os políticos podem candidatar-se por onde lhes dá na telha e o Zé-Povinho só pode votar na sua aldeia? Então José Sócrates, o Primeiro-Ministro que prometia o CU (Cartão Único) como tendo vantagens para os cidadãos retira-nos o direito de votar na nossa Terra? Este “Neurónio Tecnológico” divulgou o Cartão Único mas de Único nada tem! Em Espanha os cidadãos têm apenas um cartão e um número! Qual foi afinal a inovação? Nenhuma. É um CU com PIOR FUNCIONALIDADE. Ora, com a falência das finanças e como medida de combate ao défice, Sócrates bem que poderia ter feito um protocolo com a Optimus.. E em vez de mostrar o CU poderia ter criado o CUCIO: Cartão Único de Cidadão Optimus. Um cartão que permitisse aos cidadãos ficar internados ou ir para a praia que, através da SIBS poderiam votar num qualquer terminal Multibanco. E, votando só os vivos, uma única vez e de forma controlada por via informática, adeus chapeladas! Aqui fica o SLOGAN: “Vá de Férias ou Passear mas Não Deixe de Ir Votar”. O custo das mesas de voto daria para pagar a especialistas informáticos de cada Partido para vigiar os resultados. Ou será que as contas bancárias falham pelo MB?
    Visitem http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/22566.html em "Não Calarei A Minha Voz... Até Que O Teclado Se Rompa !"

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