12 junho 2009

Extrema-esquerda

 



 


Vale a pena ler com muita atenção a entrevista que Francisco Louçã dá ao i. De uma coisa ninguém o pode acusar: de não expor as suas ideias.


 


Mas se alguém tem esperanças quanto à possibilidade de coligações pós-eleitorais com o PS para viabilizar um governo de esquerda, é melhor desenganar-se.


 


Francisco Louçã está crente de que apenas a vitória da esquerda grande, que ele situa à esquerda do PS, com o BE no centro, talvez com o contributo do PCP, será o único resultado que o (ele e/ou BE) levará para o governo.


 


Portanto teremos, nas propostas de Francisco Louçã, um governo que defende a saída de Portugal da NATO, cujas Forças Armadas devem ter funções especializadas, como o controlo das águas territoriais., não sabemos quais são as outras, porque Há muitas funções que não são armadas. A promoção da cultura, do cinema, é soberania portuguesa. Recusamos completamente qualquer política de ocupação colonial. As Forças Armadas estão a ser submetidas à vergonha de estar a defender um governo de traficantes de droga no Afeganistão, no âmbito da NATO. É uma degradação civilizacional absoluta a situação em que estão as forças armadas portuguesas.


 


Já começou a campanha eleitoral para as legislativas. É hora de pressionar o governo para conseguir que este recue e abra as portas para a concertação que interessa a algumas corporações conservadoras. Mário Nogueira e a FENPROF vêem a hipótese de destruir o estatuto da carreira docente e a avaliação de desempenho.


 


O BE pode ter funcionado como o PRD. Em eleições legislativas, será que há espaço para confiar no BE para governar um país democrático, que está integrado na Europa, que tem alianças a respeitar e a dignificar? Voltamos à retórica das nacionalizações?


 


O PS não tem por onde escolher. Tem que ser o PS a congregar e a motivar todos os que se revêem na esquerda democrática, tem que demonstrar e convencer os descontentes da justeza e da inevitabilidade de certas medidas, da importância dos resultados, muitos ou poucos, tem que demonstrar que é o interesse nacional e uma ideologia que o guia e não manobras eleitoralistas.

 

14 comentários:

  1. escrevinhadora18:38

    Ouvi alguém notar uma discrepância entre as palavras de Louçã pela não-coligação e as de Fernando Rosas em sentido contrário (ou quase)... Mas é triste ver que, à esquerda do PS, não há vontade de arregaçar as mangas, só de desentupir a garganta!

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    1. Eu também penso que há diferenças entre a velha guarda e os novos intervenientes. Veremos como irá correr a substituição geracional no BE .

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    2. E pouca gente conhece os três mosqueteiros do B.E., da tendência mais dura, originários da LCI trotsquista, os irmãos Garcia: Gil Garcia, filósofo; Eduardo Garcia, judoca e professor de educação fisica e o terceiro garcia (não sei nem a formação académica nem o primeiro nome), mas especialista em bio-ética.
      Contrariamente aos "três mosqueteiros" do francês, não existe um quarto...pelo menos para já.
      J.A.
      PS-Outro dia, alguém dizia que, quando nos esquecemos do passado, ele aparece e nos empecilha o andar.
      Este B.E. faz-me lembrar aquela agremiação francesa liderada pelo Michel Rocard, o PSR, com bué de católicos, de trotsquistas, alguns, poucos, ex PCF e que chegou a Secretário Geral do PSF e a Primeiro Ministro de França.

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  2. Wolkengedanken19:09

    Nao estou muito informada sobre a politica portuguesa, mas diria que as tropas integradas na NATO (sem querer tirar importancia ao tema ) nao sao o problema mais grande deste pais. Falar do Afeganistao e da NATO parece uma maniobra, nem muito sofisticada, para criar o famoso enemigo de fora que permite ganhar votos

    cumprimentos

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    1. Tem razão, há outros problemas mais graves. Mas a integração europeia e as alianças internacionais fazem parte da política externa. Nem sei se é a estratégia do inimigo. Mas parece-me totalmente irresponsável.

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  3. Que prespectivação da política europeia e mundial moverá Louçã e os seus muchachos? Será um bom economista, mas a nível de clarividências geo-estratégica, socio-políticas e antropológicas deve ser uma bota. Portugal não se situa no Caríbe, nem na Lituânia. Tem as fronteiras mais velhas da Europa. Eles são contra o ideal euroipeu, porque FELIZMENTE, na Europa não mandan os comités revolucionários da unicidade "libertadora". É isso que lhes doi. Não é que eu goste de Partidos Conservadores, nem da actual maioria do PE. Mas, dá pena ver, que esses BES, só lhe facilitam o jogo. Se a extrema-direita crescer a sério (vade retro)e os mandar para a clandestinidade, nem assim vão aprender.

    Cumprimentos.

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    1. Na verdade não percebo muito bem este tipo de projecto de política externa.

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  4. Tenho para mim que o BE é "fogo de palha"...o futuro dirá.

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  5. Não posso discordar mais. Logo na primeira linha... Tenho a certeza de que NÃO vale a pena ler a entrevista.
    ;)

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  6. Quando p PS tirar de facto o socialismo

    da gaveta

    e não se coligar à direita

    por pensamenmentos palavras e obras

    talvez Alegre tenha razão

    e a Sofia também

    Fico á espreita - sem fé

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  7. Grassa por aqui a maior aldrabice conceptual, para não dizer coisas piores. NUNCA VI UM PARTIDO DE DIREITA LUTAR PELA IVG E PELOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS.
    Sócrates foi o 1.º primeiro-ministro em Portugal que fez campanha pela IVG. As mulheres portuguesas, para não dizer Portugal inteiro DEVE-LHE isso.
    Quem, sectaria e cegamente diz que ele é de Direita, devia ter vergonha do estado neuronal em que se encontra,

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  8. Fernando Frazao20:37

    A Sofia formula duas perguntas no seu post e, para mim, as respostas são claras.
    Não, não há espaço para confiar. Não, não voltamos.
    Quanto à entrevista e parafraseando um amigo meu, não li e não gostei.

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