Não foi uma má entrevista. Todos se fixaram na mudança de estilo, de que não gostei. E é natural que se fala apenas disso, pois isso é exactamente o que não interessa.
Mas se Sócrates pensa que baixando a voz e a cabeça, sorrindo muito e arrastando as palavras aumenta a votação, está muito enganado. Será sempre atacado: se for animal feroz é ditador, se estiver amansado é fingidor.
Eu prefiro animal feroz.
Já disse e redisse: vai seguir o rumo traçado.
ResponderEliminarA sorte que tenho!
ResponderEliminarEstou, há 3 dias, sem televisão...
Fingidor é o poeta, O político é apenas mentiroso.
ResponderEliminarCom Sócrates o estilo interessa porque é grande parte do que ele é. Os ataques às corporações no início do mandato (por vezes justos, sempre exagerados por motivos de capitalização mediática), as medidas mil vezes anunciadas, as dificuldades para aceitar críticas (e as tentativas de controlo da comunicação social, dos sindicatos e de vozes dissidentes no funcionalismo público), a projecção da imagem de reformista, imerecida na maioria dos casos - tudo isto é estilo e substância. Nunca tivemos um Primeiro-Ministro tão obcecado com a forma como os assuntos são apresentados (nesta, como noutras questões, Santana Lopes é um amador trapalhão). Aliás, a estivação do animal feroz como assunto de debate é da responsabilidade de Sócrates. A opção de tentar parecer mais "manso" foi dele e a hipocrisia merece ser desmascarada, até pelo atestado de menoridade que passa a cada um de nós, eleitores.
ResponderEliminar"Com Sócrates o estilo interessa porque é grande parte do que ele é"
Eliminarcomo é que um governante com apenas estilo consegue mobilizar tanta contestação feroz? as frases feitas e repetidas muitas vezes decididamente não significam a verdade.
Pessoalmente, detesto esse conceito de "humildade". Criou-se uma onda, uma verdadeira campanha montada a clamar por isso, e espero bem que José Sócrates não caia nessa.
ResponderEliminarNão é "humildade", mas coragem, determinação, rigor e cabeça fria que se exigem ao capitão do barco a navegar em mar revolto. Nenhum, repito, nenhum político enfrentou tão violentíssimas e persistentes campanhas de assassínio de carácter ao longo de todo um mandato. (Tenho esperança de que, para bem de todos nós, se faça um amplo estudo sobre a dimensão, os meios, os autores e intervenientes em diferentes espaços, actuando conjugadamente nessa enorme campanha negra antidemocrática). Ora, só uma personalidade forte conseguia não se deixar vencer pelo desânimo. Sócrates resistiu. Deve continuar assim.
A entrevista decorreu em tom sereno. Sócrates não estava a enfrentar entrevistadores "ferozes", como em entrevistas precedentes. Nem estava na Assembleia da República, onde é chamado a ripostar à agressividade de opositores.
O importante, como escreveu, Sofia, é o conteúdo do que disse e não cometeu erros. Por isso as críticas refugiam-se na questão do "tom".
Tem toda a razão. Basta ler o post de hoje no Abrupto.
ResponderEliminarEu também prefiro o animal feroz.
Pois...até pode mudar de estilo, de roupa , de voz, mas a essência está lá...pode-se enganar alguns algum tempo, bastantes muito tempo, mas não se podem enganar todos todo o tempo...
ResponderEliminarPessoalmente não acredito nem no estilo nem na essência...o Guterres podia ter defeitos mas -em particular 1º mandato-era sério, tinha alguma essência e não tinha licenciaturas por fax...o carácter de uma pessoa vê-se nas pequenas coisas....
O PS e José Sócrates não podem cair na asneira de, para tentar ganhar votos à esquerda, desdizer ou desfazer o que levaram 4 anos a tentar fazer. Os rótulos que se colam às pessoas e os sound bites passam. O que fica é a convicção, a ideia, a força de vontade.
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