11 maio 2009

As vozes do rio Pamano

 



 


É de solidão que nos fala o livro de Jaume Cabré. Da solidão do heroísmo e da cobardia, da solidão do amor e do ódio, da solidão do segredo e da tortura, da solidão do medo, da solidão das mães e dos pais, da solidão dos filhos, da solidão da vingança e da fé, da solidão dos fortes e dos fracos.


 


É de histórias encobertas de gente que se esconde, da verdade sepultada e do teatro dos vencedores. É de gente que desesperadamente tenta sobreviver, que desesperadamente pergunta, que em segredo desdenha e luta, que do poder faz uma prisão.


 


Uma professora encontra nas ruínas de uma escola primária a história das ruínas da vida de uma aldeia catalã, imediatamente após a guerra civil, contada por um professor primário que se torna um lutador pela liberdade de quem foge da Guerra Mundial, que se revolta contra o regime franquista depois de ser abandonado pela mulher, dilacerada pela sua cobardia na altura do assassinato de uma criança.


 


A história da busca pela verdade, pelo desmascarar da farsa que transformou esse herói secreto da resistência em falangista, beato e candidato a santo, a tentativa de desatar os silêncios de quem calou a vida inteira ódios e amores, a história de um poder assassino por vingança, a história de um amor desesperado, entrelaça-se com a vida desta professora, que procura no passado o remédio para a sua própria vida. Como o fazemos todos.

 

2 comentários:

  1. Excelente livro. Pode parecer difícil de ler mas basta entrar no ritmo e torna-se hipnótico. Com o desfecho inevitável. Vivemos num mundo em que nunca se sabe quão fabricada é a verdade que nos chega. (Isto poderia agora levar-me à política nacional mas não vale a pena...)

    Já agora, não são quase todos os bons livros sobre solidão? A "solidão do heroísmo e da cobardia", "do amor e do ódio", etc.? No primeiro parágrafo do seu post estão praticamente todos os temas da literatura (falta a morte, cuja abordagem é também um exercício sobre a solidão - vejam-se os últimos livros de Philip Roth).

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, jaa . Se calhar tem razão e a solidão está no centro de toda a nossa vida.

      Eliminar

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...