A manifestação da CGTP foi, obviamente, uma manifestação apoiada e arregimentada pelo PCP e pelo BE, reunindo todos os descontentes com a situação nacional e internacional, todos os que sofrem com o desemprego, todos a quem este governo afrontou, pelas boas e pelas más razões. Foi esta como foram todas as outras manifestações organizadas pela CGTP.
Não se percebe portanto o horror de Carvalho da Silva e dos dirigentes dos partidos da oposição quando se afirma claramente os objectivos políticos desta manifestação. Tal como não se compreende a vitimização e a ofensa de José Sócrates por lhe chamarem mentiroso. A linguagem política, nas manifestações, nos debates políticos e no parlamento já há muito deixou de ser civilizada. Os cartazes e as palavras de ordem das manifestações organizadas pela CGTP são mais ou menos idênticas, desde que existem, apenas os nomes dos protagonistas mudam.
Foi uma grande manifestação, tal como foram as organizadas pela FENPROF. É uma forma de combate político e que tem que ser ouvido e entendido como tal.
Quanto aos sindicatos e ao sindicalismo continuam a ser extensões de partidos políticos em vez de se renovarem e de se reformarem para responder à crise do trabalho e dos trabalhadores, verdadeira e assustadora, que aumenta os marginalizados da sociedade, a pobreza, a revolta e a instabilidade social.
Para que tal fosse possível os que se dizem defensores dos direitos dos trabalhadores deveriam compreender que tem que haver uma alteração profunda na cultura do trabalho em Portugal.
Adenda: ver também o post do DER TERRORIST.
Fica a faltar a Greve Geral da CGTP, tradicionalmente aprazada para Maio, e o "sucesso" do "costume", qual "Festa da Primavera", este ano com a conveniência adicional de se sobrepor ao período de campanha eleitoral para as eleições europeias.
ResponderEliminarExactamente. Aliás, já estamos em plena campanha eleitoral.
EliminarCarvalho da Silva tem sido um dos dirigentes sindicais que mais tem tentado separar as causas do sindicalismo das agendas partidárias,portanto é natural que se sinta surpreendido com a forma como o 1ºministro do governo do PS se referiu á manifestação convocada pela CGTP.O 1ºministro que se tem mostrado preocupado com os mais desfavorecidos e os mais desprotegidos na situação da crise económica global que nos está a atingir devia ter uma relação mais próxima com os sindicatos,da forma como ele se referiu aos manifestantes leva a pensar que o PCP e o BE tem um grande poder de mobilização para trazerem tanta gente para a rua.
ResponderEliminarAna, a CGTP, o PCP, o BE é que se mobilizaram para a manifestação e é assim desde que há CGTP, que agiu sempre como braço político do PCP. A novidade é o aparecimento do BE . Sócrates disse o óbvio e, obviamente, tem que conviver com isso.
EliminarQuanto a Carvalho da Silva é dirigente máximo da CGTP desde 1986 (há 23 anos). Durante estes anos muito mudou no mundo, nomeadamente no mundo laboral. Mas não no sindicalismo português. Este sindicalismo não sabe como há-de defender o trabalho e os trabalhadores, apenas se entrincheira no que está a acabar.
Nem Carvalho da Silva ficou surpreendido com as afirmações de Sócrates, nem Sócrates ficou ofendido com os insultos dos manifestantes. Isso é só coreografia política.
Quem manipula quem? Ou a arte de fazer - legitimamente- um poste habilidoso ainda que "manipulador"...
ResponderEliminarA uma semana do congresso da Ugt, João "Assinador"Proença, afirmou em público que seria importante o PS alcançar a maioria absoluta.
ResponderEliminarEntretanto a uma semana do congresso da ugt
João Proença afirmou publicamente
que seria importante o ps alcançar de novo
a maioria absoluta
JRD e Mar Arável: a UGT é manipulada pelo PS, sempre foi um braço do PS para assinarem as concertações sociais. Mas isso justifica o quê? Eu falei de sindicalismo dependente e manipulado politicamente.
ResponderEliminarSofia,
EliminarConfesso que não entendo a sua réplica. A não ser que tenha afirmado que na UGT não existe sindicalismo e o que se manipula é "outra coisa".
Na verdade que acho que há muito pouco sindicalismo em Portugal, se quisermos falar de negociações laborais. Há poucas pessoas sindicalizadas. O que temos é luta política através das centrais sindicais, sejam elas a CGTP ou a UGT.
EliminarÉ nestas alturas que eu me lembro dos idos de 75, do PREC, da cintura industrial de Lisboa, de tanta e tanta coisa que desapareceu entretanto.
ResponderEliminarMas a visao que os trabalhadores são todos bons e explorados, alguns serão, mas todos?? os patrões todos maus e sacanas, alguns serão, mas todos? este governo é o pior desde 74, esta é recorrente, não tem havido governo que não fosse o pior, não percebo porque o querem deitar abaixo, o próximo vai ser pior de certeza, querem apostar? esta concepção do mundo mantem-se.
Já não ando nessas manifs, cada vez mais suspeito que o sindicalismo nacional tem como objectivo promover governos de direita e falencias de empresas. São a sua garantia de continuidade.
E sim, antes que me acusem, confesso, vou votar PS.
Mas a CGTP sempre foi assim...
ResponderEliminarIndependentemente do Governo que estiver.... seja ela a cor politica....
Em tempos de crise é normal haver estas manifestações.
E no tempo em que o código de trabalho está como está...
http://beezzblogger.wordpress.com/2008/05/23/o-sr-nao-tem-idade-nem-curriculum-palavras-proferidas-por-sua-santidade-o-pinoquio/
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