Cavaco Silva defende valores e políticas raramente coincidentes com as que eu própria defendo. Não me revejo na sua postura, nos seus discursos, não gostei dos seus mandatos enquanto Primeiro-Ministro e votei contra ele sempre que tive oportunidade.
No entanto, e a propósito de um comentário num dos posts mais abaixo, fiz uma pesquisa na internet sobre a inovação portuguesa dos anos 80 que deu pelo nome de salários em atraso, que motivaram intervenções incendiários do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, alertando para a fome no distrito de Setúbal.
Ora essa inovação foi da autoria do governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares e Mota Pinto, na Vice-Presidência, como se pode ver neste documento de José Adelino Maltez – (…) Salários em atraso – Relatório oficial reconhece a existência de cerca de 100 000 trabalhadores com salários em atraso (Março). (…).
Além disso, após as eleições legislativas de 1985, ganhas por Cavaco Silva, foi elaborada uma Lei na Assembleia da República - Lei n.º 17/86, de 14 de Junho, Salários em atraso – posteriormente revogada pela Lei 99/2003 – Código de Trabalho – numa tentativa de proteger os trabalhadores de uma situação absolutamente inaceitável, que era trabalhar sem remuneração e sem soluções no quadro legal.
Portanto, os salários em atraso não foram responsabilidade de Cavaco Silva, do PSD, tendo sido durante a sua legislatura que se tentou resolver o problema, mas sim de Mário Soares, do PS (sem esquecer Mota Pinto, claro).
Mesmo admitindo alguma inexactidão, de que peço desculpa, na forma como me situei no tempo, que não nos personagens, nem no conceito, mantenho que o flagelo do trabalho sem salário foi, entre outras, uma imagem de marca do cavaquismo e, mesmo com a legislação aprovada, não consta que os trabalhadores vítimas dessa situação aberrante , tivessem feito fila à porta de S. Bento para receberem o que o patrão não lhes pagava…
ResponderEliminarEntretanto os topos de gama e os assessores dispararam, ambos em excesso de velocidade…