17 agosto 2008

Famílias




(pintura de Amy Cutler: Viragos)


 


Conheço famílias monoparentais e famílias poliparentais, com uma mãe, com duas mães, com mãe e avó, com tia e avô, sem mulheres, famílias de menores, famílias de velhos, famílias com um pai, muitos pais, com amigos e primos, com amigas dos primos, com cães, gatos, peixes.


 


Conheço famílias com dinheiro e sem ele, com televisões, com telemóveis, com comprimidos, com bebidas, com armas, com estaladas e murros, com gritaria e arrancar de cabelos, com solidão e vazio, com mortos nos armários, com silêncios e rupturas.


 


Conheço famílias com beijos e palmadas nas costas, com suspiros de resignação, com voltas e reviravoltas das cabeças, com espaços por ocupar, com mãos entrelaçadas nos passeios, corpos arrulhando devagar, com roupa desarrumada e paredes forradas de livros.


 


Não há garantia de estruturação ou de felicidade. Não se sabe se alguém se mata ou mata o parceiro, ame mais por ser homossexual, heterossexual ou assexuado, saiba gerir as emoções, desista de tudo ou invista em nada, que dê pontapés no destino ou arranque as pedras da calçada.


 


A única garantia é que há sempre hipótese de ser feliz, todos os dias teremos que fazer essa aposta, com pais ou sem eles, com mães ou sem elas, às vezes e sempre e sobretudo por nós, quando e se conseguimos encher um cantinho do coração de alguém.

4 comentários:

  1. Depende essencialmente de nós fazer a aposta certa: ser feliz!

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  2. E tu és das que fazes dessa aposta um objectivo de vida e tens a sorte e o saber de encher uma boa mão-cheia de corações.
    O meu enches, inteiramente.
    Um beijo e faça o favor de ser feliz!

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  3. Obrigada pelos vossos comentários.

    Quando tanto se fala dos casamentos de homossexuais, das adopções, das decisões judiciais que entregam crianças a quem não está presente , outras que olham para a família e dão o poder paternal a uma irmã, que é a mãe possível, é melhor que olhemos todos muito bem para cada um de nós e para cada uma das nossas famílias. Bem de perto, todos temos famílias com disfuncionalidades . Será que os juízes nos consideravam aptos a educar crianças?

    Ser feliz, sim, é para isso que acordamos todos os dias, para a procura da felicidade.

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  4. Cristina Loureiro dos Santos23:30

    Obrigada por escreveres assim. Tão bem.

    :**

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