Ingrid Betancourt está em liberdade há 12 dias. Desde a sua libertação e a dos outros reféns, tem sido filmada, entrevistada, condecorada, numa corrida desenfreada de aproveitamentos vários da sua figura como política que era e política que é, pelo Presidente da França, pelo Presidente da Colômbia, pelo Presidente dos EU, por Hugo Chavez, por Zapatero, por todos e por ela própria.
Há já quem critique este frenesim, mas a verdade é que é um excelente momento para promover a libertação dos que ainda estão sequestrados, não deixando morrer o assunto, até porque os políticos que deram visibilidade à causa estão também a recolher os dividendos dessa libertação.
Em todas as entrevistas lhe perguntam se foi torturada, abusada, tentando exposições e confissões que alimentarão o horror de uns, o escândalo de outros.
Ingrid Betancourt disse, numa das suas entrevistas, ou em várias, que aprendeu que todos nos podemos transformar em animais, portar como animais, se formos tratados como animais. Uma lição que o ser humano não aprende nunca e que apenas experimenta quando passa por situações em que se deixa submergir pelo melhor, mas sobretudo pelo pior que tem dentro de si.
Os conflitos, as maldades, as raivas, as cumplicidades, os ódios, os actos de heroísmo e cobardia, a crueldade ou a total entrega, tudo deve ter acontecido naquela selva, entre companheiros de infortúnio e rebeldes, como em todas as selvas em que se luta pela sobrevivência.
O afastamento entre Ingrid Betancourt e Clara Rojas poderá ser o resultado de circunstâncias terríveis que terão envolvido o nascimento do filho da segunda em pleno cativeiro. Seria seguramente melhor para ambas que o resolvessem entre elas, se é que é possível resolver alguma coisa, do que trocarem acusações públicas.
A exaustão não é boa conselheira. Falta o tempo, a calma e a recuperação daquilo que pode ser a decência e a dignidade que existe no facto de estar livre, processar o que se passou e tentar recomeçar a viver.
Há 6 anos, Ingrid Betancourt era uma política a tempo inteiro e a todo o gás. Não é de admirar que retome os tiques de marketing. Cada um de nós que os considere em relação à dramática situação que ela suportou...
ResponderEliminarTentar recomeçar a viver...
ResponderEliminarNem sempre é simples !
;))
É difícil e será, muito provavelmente, uma vida totalmente diferente da que tinha antes do sequestro, mesmo que mantenha a actividade politica.
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