Vítor Constâncio foi à Assembleia da República dizer o que se esperava, foi mesmo pior do que já se esperava. Que a economia vai crescer menos, que a inflação e o desemprego vão crescer mais. Também disse que se devem continuar as reformas estruturais e o controlo do défice, que não se devem baixar os impostos, que há dinheiro para os investimentos anunciados pelo governo, que se deve ponderar todas as hipóteses alternativas ao petróleo, nomeadamente a energia nuclear.
Ao contrário de algumas leituras, o Governador do Banco de Portugal deu força ao que foi feito pelo governo e disse mesmo que deveria ter feito mais e deve continuar a fazer. Disse ainda que se não fosse a crise internacional que a consolidação da economia seria mais convergente com a média europeia.
O governo não vai cumprir todas as suas promessas. As reformas ainda estão a meio, o desemprego aumenta, por muitos postos de trabalho novos que tenham sido criados, há um desencanto e uma desmotivação naqueles que têm mais dificuldades económicas, pois não vêm uma luz ao fundo do túnel. Mas a verdade é que, na sondagem mais recente efectuada pela Universidade Católica, demonstra-se que não há percepção de uma alternativa credível a este governo, e que as pessoas têm a noção de que Sócrates e os seus ministros fizeram mais e melhor que os governos de Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes.
Não sei qual é a solução para este estado de coisas. Mas que as reformas no SNS, na educação, na administração pública e na justiça são cruciais para o desenvolvimento do país parece-me uma evidência. Que a existência de serviços públicos de qualidade são a melhor forma de igualar as oportunidades de todos os cidadãos a uma vida melhor, parece-me inquestionável. Que a aposta nos serviços públicos tem que ser feita com o combate ao desperdício e a reorganização dos serviços, para que se sirva a população e não as corporações profissionais, parece-me indiscutível.
É uma questão de atitude, de mudança de atitude de todos nós.
Nota: Não percebo porque é que a SIC convida Bagão Félix para comentar este relatório e o governo; qual a credibilidade dele? Mas há uma coisa em que tem razão: o debate da nação deveria ter sido feito após a saída do relatório do Banco de Portugal. Foi uma atitude pouco séria de Sócrates e de desprezo pelo Parlamento.
Sempre muito bem informada (e dá óptimos links ) e sempre muito certeira.
ResponderEliminarLer o blog da Sofia tornou-se na minha principal fonte de informação política actualizada.
(Que tal ir p'ró Governo ?)
:))
Que horror! Só mesmo President...a!
EliminarOkay ! Comecemos já a pensar em quem se convida para a Comissão de Honra do Movimento Sofia para a Presidência !
EliminarEu estranharia era que Vítor Constâncio dissesse que o Governo está a governar mal. Está precisamente a seguir À risca o que diz o BCE e o Banco de Portugal. Esse é/foi o erro. Políticas que se têm revelado um fracasso - e não apenas em Portugal, - mas que não se alteram porque, por intrinsecamente boas que são, alterá-las seria o mesmo que mudar a data em que se celebra o Natal.
ResponderEliminarOutro erro foi do do combate aos “privilégios corporativos”, que debilitaram o poder de compra de uma classe média que servia para equilibrar socialmente o país, mas que poupou os interesses corporativos, sem aspas, de uma classe de dirigentes e nomeados políticos que até viram reforçados os seus poderes. Sócrates só tem que se queixar de si mesmo e do modelo de políticas que abraçou. Esgotaram-se e, com elas, Sócrates ficou órfão de soluções.
Vi o seu link, aqui lhe respondo. A esta hora e com este calor já não sobra muita vontade para estruturar um texto com os mínimos para publicação em post.
Uma boa noite para si
Filipe
Filipe Tourais, agradeço o seu comentário.
EliminarAs políticas que Portugal pode conduzir, para bem ou para mal, não podem fugir às do BCE . Questionar as políticas europeias de obediência aos "santos mercados" faz todo o sentido. Mas não me parece que possamos ficar, de novo, orgulhosamente sós.
Quanto à necessidade de reorganizar os serviços públicos e combater o desperdício, aumentando a qualidade dos mesmos (essenciais num estado que valoriza a igualdade de oportunidades e a dignidade dos cidadãos), Sócrates tem feito menos do que devia. A diabolização dos grupos profissionais foi, de facto, um erro.