31 julho 2008

Alarme falso (1)

Podem descansar os espíritos mais inquietos. Afinal a exclusividade dos médicos para o SNS foi só uma ameaça que, pelos vistos, não será para cumprir. Podem respirar fundo o Bastonário, os representantes sindicais e o sector privado (como aqui se sugere). Como disse um comentador a um post meu anterior (o médico céptico): (…) o SNS beneficiou do trabalho de todos os médicos, os melhores e os piores, com base numa espécie de contrato não escrito - pagavam pouco, mas deixavam tempo suficiente para os médicos poderem complementar o ordenado na actividade privada. (…).


 


Ou seja: eu finjo que trabalho e tu finges que me pagas. Pelos vistos há muitos a quem este contrato não escrito é satisfatório. Para mim não e para os doentes e o estado também duvido que o seja.

5 comentários:

  1. Nuno18:27

    Eu aplaudiria de pé algo como uma espécie de serviço médico obrigatório no SNS, dps do estágio, que compensasse o estado (i.e. os contribuintes) pelo investimento de formar um médico. Este investimento tem de dar retorno! Não podemos formar médicos e deixá-los sair para o privado sem qq contrapartida!
    A falta de visão do bastonário da OM (o que não deixa de ser irónico visto ele ser oftalmologista) qd afirma q é preciso cuidado para não se formarem médicos a mais é desmonstrativo do corporativismo deste senhor e da classe! Para a sociedade é melhor ter médicos a mais do que a menos, não entendem isso?!
    Estes resquicios do estado novo em ordens profissionais querem regular acesso à profissão protegendo os actuais profissionais é muito má para a sociedade como um todo! Cpmts

    ResponderEliminar
  2. donagata18:49

    Parabéns pela tua incrível capacidade de síntese. Nessa pequena frase "eu finjo que trabalho tu finges que me pagas",concentras a ideia com que o utente normal e desconhecedor do que se passa de facto, fica. Pelo menos com a primeira parte "eu finjo que trabalho" porque da segunda já não é, nem lhe interessa, ser conhecedor.

    ResponderEliminar
  3. Quer a nível profissional quer como doente conheço vários médicos e não se assemelham ao retrato (muito mau) que a maioria das pessoas faz deles. Por isso não percebo como é que elegeram para bastonário uma tal nulidade.

    ResponderEliminar
  4. médico céptico19:53

    Mais uma vez apresentando facciosamente, agora as minhas palavras, para justificar a sua convicção ferrenha... De modo algum o que eu disse significa que os médicos no SNS "fingem que trabalham", como aliás o sucesso em termos de resultados para a nossa saúde nacional demonstra por si.

    É óbvio que se as pessoas trabalhassem em exclusividade em empregos bem remunerados e com boas condições de trabalho, essa seria a situação ideal. Mas não é essa a intenção das "reformas" dos sucessivos governos, mas sim a de poupar dinheiro. Os doentes têm sido servidos por este SNS, que não é perfeito, mas é bem melhor do que não haver nenhum, ou voltarmos à situação pré-25 de Abril. E a última preocupação do Estado neste momento, repito, é a eficiência do SNS.

    E já que tanto aprecia frases lapidares, respondo-lhe com outra, não da minha autoria, mas bem verdadeira: "de boas intenções está o inferno cheio". Espero que a sua ferrenha convicção não se realize, para não ter o desgosto de se ver num país sem SNS, ou com este reduzido aos cuidados mínimos para os indigentes.

    ResponderEliminar
  5. Infelizmente assim parece vir a suceder ...

    ResponderEliminar

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...