21 março 2008

O poema


 


O poema vai e vem. E se demora


não quer dizer que seja demorado


mas que tem como tudo a sua hora


e como tudo é sempre inesperado.


 


Por muito que se espere não se espera.


Por mais que se construa é acaso e sorte.


Às vezes quando vem já foi ou era.


Porque assim é a vida. E assim a morte.


 


Por isso mesmo quando distraído


ninguém como o poeta é tão atento.


Ele sabe que de súbito há um sentido.


Vem como o vento. E passa como o vento.


 


(poema de Manuel Alegre - Doze Naus)

2 comentários:

  1. Café com Natas22:25

    Olá,
    Gosto muito de poesia.
    Desconhecia este poema de Manuel Alegre e realmente faz sentido,
    "Vem como o vento e passa como o vento...
    Muito bom!

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  2. Donagata23:30

    Estive ontem com este livro de onde seleccionei alguns poemas que li às minhas gatas. Adoraram!
    Um beijo.

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