26 março 2008

Bom-senso precisa-se (2)

José Sócrates cansou-se de ser previsível e de governar à direita, como o acusam os mais esquerdistas do PS. E como o tempo urge, os descontentes descem à rua e o nosso Primeiro está a ver fugirem-lhe alguns votos necessários, resolveu tomar medidas que contentem a classe média e Manuel Alegre, e que retirem iniciativa ao BE e ao PCP que, pela primeira vez desde há décadas, pondera a hipótese de ir a votos sozinho, desfazendo a longa coligação da classe trabalhadora e outros democratas.


 


Hoje a novidade era a descida dos impostos (1% do IVA). Não sei se é bom se é mau, os meus conhecimentos de finanças e de mercados não me permitem ajuizar o que será melhor para animar a nossa anémica economia. Mas não deixo de achar bizarro que Sócrates assuma uma medida que há cerca de 15 dias apelidou de irresponsável.


 


É claro que a redução do défice é melhor do que estava prometido. Mas ele não saberia isso há 15 dias?


 


O que não me surpreende é ouvir aqueles que têm vindo a exigir redução de impostos há meses se estejam agora a esforçar por demonstrar como esta medida é má e eleitoralista. Nada de novo, portanto, no reino da oposição.

12 comentários:

  1. Dúvida metódica21:40

    Classe média é Manuel Alegre, classes baixas PCP e BE…E eu que sou da classe média-alta, a raiar a alta, vou votar em quem?

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    1. Dúvida metódica, também tenho um dúvida: donde é que se infere, da leitura do meu post , que a "classe média" vota Manuel Alegre e que as "classes baixas" no BE e no PCP? É essa a sua opinião?

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  2. Pois ...pois...Bom Senso ...precisa-se muito......................................................................
    "O que também é "leviano e irresponsável"...
    ... é truncar as citações de declarações alheias, para as poder atacar.
    A citação completa desta referência é esta:
    «O primeiro-ministro José Sócrates afirmou hoje [14 de Março] em Bruxelas que é "leviano e irresponsável" falar em baixar os impostos, sem se conhecer ainda os dados da economia portuguesa do ano passado e os indicadores dos primeiros meses deste ano.» (Sublinhado acrescentado).
    Os referidos dados foram conhecidos ontem...
    [Publicado por Vital Moreira"

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    1. FG , será que acredita mesmo que Sócrates só conheceu esses resultados naquele dia, tendo decidido de imediato descer 1% do IVA? Não teria uma pálida suspeição?

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    2. Cara Sofia
      O que eu acredito ou deixo de acreditar não me parece minimamente relevante (nem tampouco o que V. acredita ou que Sócrates conhecia ), mas é sim relevante o lhe assinalei através da citação de Vital Moreira e que volto a repetir na esperança de que desta vez entenda "O que também é "leviano e irresponsável"...é truncar as citações de declarações alheias, para as poder atacar."
      Se o plágio é condenado...o que dizer de citações com truncagens que fazem perder o sentido das declarações dos outros ?
      V. e as suas ideias que muito aprecio, a meu ver, não precisam de truques.

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    3. Tudo o que aqui escrevo parte de uma interpretação minha do que vou lendo e ouvindo. Usar essa parte do discurso de Sócrates para justificar a volta de 180 graus que deu em 15 dias parece-me intelectualmente desonesto. Se Sócrates desconhecia totalmente os valores que foram validados é um irresponsável e um incompetente, se os conhecia mentiu. Se não os conhecendo decidiu, no mesmo dia, reduzir especificamente o IVA especificamente em 1% é irresponsável e incompetente. Como, apesar de tudo, acho que a incompetência não é assim tão gritante, só me resta uma interpretação, ou crença, como lhe chama, de que ele mentiu, que apenas esperava a melhor ocasião política para descer impostos.
      Tem razão quanto ao facto de algumas citações "truncadas" ficarem desprovidas de sentido ou, mais grave, ficarem com o sentido adulterado. Não me parece que seja este o caso.

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    4. Cara Sofia
      Ao contrário do que sempre pensei, através da leitura das suas postas, ou V. é demasiado "naif" e/ou demasiado "dura de ouvido" ou/e/ainda "intelectualmente desonesta".
      Seja(m) qual(is) for(em) o(s) caso(s), é a minha vez de achar bizarro o seu comportamento (escrito) face ao meu simples comentário á sua truncagem de uma citação.
      Claro que o blog é seu e naturalmente pode escrever o que muito bem entender, mas ao publicar e ao aceitar comentários sujeita-se a que os seus leitores não concordem consigo, não é ?
      O meus comentários foram sempre e só sobre a sua Ética (no caso da truncagem para fundamentar a sua opinião).
      Fim deste "papo".
      Envio-lhe cordiais cumprimentos.

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    5. FG ,
      fica patente o que considera ser ético.

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  3. Dúvida metódica00:21

    Sofia, não o afirmando de forma explícita, é esse o conteúdo que está implícito no seu texto, quando realça o substrato económico na gradação que faz, que finalmente é política.
    Partindo do seu referencial, a minha pergunta terá uma resposta?!

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    1. No post não afirmo de forma explícita nem implícita o sentido de voto das várias "classes" sociais. Falei na classe média porque é quem tem sofrido mais com as medidas de contenção e rigor orçamental, e de Manuel Alegre porque corporiza a contestação ao governo, na ala esquerda do PS. Falei do PCP e do BE porque, obviamente, têm tentado capitalizar com o descontentamento geral.
      Se quer saber a minha opinião sobre o sentido de voto da classe média-alta/classe alta, penso que será maioritariamente PSD/CDS, com algumas franjas a votar nos extremos (à esquerda e à direita).
      Satisfiz a sua curiosidade?

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  4. Não diria bom senso. Diria mais senso. A estratégia de conta-gotas, alicerçada na desmemorização do indíviduo, não me parece que vá resultar no futuro próximo.

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    1. Totalmente de acordo. A menorização do eleitorado nunca dá bons resultados.

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