30 março 2008

Alteração da hora


 


Talvez a razão primeira tenha sido a alteração da hora. Quando me levantei, lentamente porque devemos honrar as manhãs de Domingo, já eram quase horas de almoçar.

Ou seja, o meu dia precipitou-se em direcção à recuperação das funcionalidades horárias, mas sem tempo de o fazer. Tudo transladado para mais tarde, o café da manhã sem jornais, o almoço tardio sem café, a peregrinação semanal ao supermercado à velocidade da luz, arranquei com o TomTom totalmente preparado para a Rua do Açúcar, no Poço do Bispo, para assistir à penúltima representação de Lisboa Invisível, no Teatro Meridional.

Mas não contei com os maus augúrios astrais, com as ventanias em sentido contrário, e muito menos com as obras na zona ribeirinha de Lisboa, por alturas do Rossio, que levou a grandes enchentes de carros parados preguiçosamente em filas descomunais, com o TomTom desesperadamente a dizer-me para virar aqui e acolá, com as ruas fechadas e os Polícias a desviarem para círculos viciosos e concentrados de autocarros.

É claro que já não fui a tempo. Desliguei o TomTom e regressei a casa, onde cheguei mais de uma hora depois de ter partido.



Pelo caminho, enquanto irritadamente esperava nas filas, fui olhando e reparando que todos os cafés daquela zona da Baixa estão fechados, num Domingo, e que as ruas estão desertas de pessoas a pé, pois os turistas estão dentro dos autocarros panorâmicos.

O tão falado comércio tradicional não se adapta aos novos tempos e por isso morre. E morre também o centro de Lisboa.


 


Enfim, não se pode dizer que tenha sido uma bela tarde dominical.

9 comentários:

  1. donagata19:26

    Não tiveste tempo de ir à missinha, depois é assim...

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  2. Cristina Loureiro dos Santos00:03

    Lolol

    Quem sabe a Donagata tem razão...

    ;)

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  3. Rua do Açucar?! Se Lisboa fosse uma cidade doce...

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  4. Sofia, é inevitável; O tempo do comércio tradicional está a diluir-se na neblina do tempo.

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  5. Faltou-me a missinha , fugiu-me a Rua do Açúcar, sumiu-se-me o café, tudo na neblina da falta de tempo.

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    Respostas
    1. o tempo perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem..o tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.. rsssss

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  6. O problema não é tanto a morte do comércio tradicional, como o que isso representa em termos de desertificação das cidades, de morte de um centro urbano que deve ser o núcleo nevrálgico da urbanidade, ou seja, de uma forma de viver a cidade. Hoje, a cidade não se vive, atravessa-se (até os turistas...). E com isso se perde tanto do que uma cultura representa...

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  7. Eu, quando tenho necessidade de uma roupita menos má, ainda vou ao comércio tradicional. Mais concretamente ao Sr. Carlos, que trabalha ali na baixa. Apareceu várias vezes na televisão a propósito da baixa do IVA - era o senhor que fazia as contas que davam 125 euros com o IVA a 21% e 123,75 euros com o IVA a 20%. Ele já sabe que modelo de fato é que disfarça melhor a "barriga de cerveja" e que calças "casual" me interessam.

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  8. Lisboa dorme no meu imaginário...

    pensei fosse Tom tOm uma pessoa.. rs

    bjo, querida.

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