A TSF passa reportagens muito interessantes ao Domingo. Hoje foi sobre o regicídio: Crónica de um Regicídio Anunciado.Tenho andado muito absorvida pela vida profissional, pelo que não tenho podido estar atenta ao que se passa. Mas não deixou de me escapar o aproveitamento político das comemorações do centenário do assassinato de D. Carlos e do Príncipe herdeiro.
Claro que foi um assassinato. Claro que o assassínio é sempre condenável. Mas não deve ser visto desenquadrado da perspectiva histórica, do contexto da época, nomeadamente do resto da Europa.
O assassinato do rei foi o início do fim da monarquia. Nem D. Carlos era tão mau como toda a propaganda anti-monárquica e republicana sempre fez crer, nem tão extraordinário com agora outro tipo de propaganda transmite. Tal como os seus assassinos, que deram a vida por uma causa, nem foram os heróis que alguns mitificaram, nem os algozes que os revivalistas nos insinuam.
A monarquia caiu, foi decapitada, para usar um termo que ouvi na reportagem. Era o entendimento de alguns, na época, a necessidade e inevitabilidade de matar “as cabeças” da monarquia e da ditadura, de forma a libertar o povo e a instaurar outro regime. Provavelmente a República também seria inevitável, mesmo não havendo extremistas que executassem a solução mais radical. Não sabemos, tudo o que dissermos é especulativo.
Mas a reabilitação do rei D. Carlos como de (...) um português que sempre procurou servir a pátria (...) não deve evitar a reflexão e reabilitação de todos os que lutaram e morreram pelos ideais e pela causa republicana, embora traídos até pela prática política, no decurso da I República.
Veremos se as comemorações do centenário da Implantação da República terão a relevância política, o protagonismo de historiadores, Assembleia da República e outras figuras institucionais, assim como o protagonismo do Chefe de Estado, pelo respeito que a história do país e que os ideais republicanos nos merecem.
"Não venho matar o rei..."
ResponderEliminarNem sou de matanças, nem tão pouco se mata o que não existe.
Apenas venho aqui para a felicitar pela lucidez do post.
Cumps
Está visto que estamos em fase de branqueamentos. Em verdade é mesmo o que está a dar. Primeiro foi Salazar que está a um passinho da canonização, agora, D. Carlos e também a um passinho do feriado no dia do regicídio. veremos o que se segue...
ResponderEliminarDona Gata, miaste muito acertadamente!
ResponderEliminarNão sei se algum português ou portuguesa está a reviver o passado. Acho muito pouco provável.
ResponderEliminarEu teria preferido escrever: Lembrar a história.
Mas, enfim, é só um pormenor.
O que me parece importante dizer, sobre D. Carlos, é o seguinte:
1 - Terá sido uma pessoa estimável para a sua família e amigos;
2- Manifestou, de facto, muito interesse pelos assuntos do Mar;
3 - Pintou aguarelas muito boas, sobre os mais diversos tipos de embarcações, as quais já tive a oportunidade de apreciar. Não era, seguramente, um "curioso" no assunto;
4 - Mas foi também um Chefe de Estado esbanjador, numa época em que o Povo passava muita miséria e "ostentava" uma das mais elevadas taxas de analfabetismo, na Europa;
5- Mas foi, principalmente, o instrumento útil e displicente do cínico ditador João Franco, o qual foi também moralmente culpado do assassinato. Ao que consta, D. Carlos terá percebido isso nas vésperas da sua morte.
E é isto que - quer queiram os Monárquicos de hoje, quer não - ficará para a História do Portugal dos alvores do Século XX.
Acaso não seria melhor lembrar a morte do Rei D. João II?
O Príncipe Perfeito, como este grande Rei ficou conhecido para a História, terá sido vítima de envenenamento, tendo sido odiado pela nobreza da época, que lhe chamava tirano.
Seria melhor, certamente.
Só que essa morte não pode ser imputada aos Republicanos!
Leiam o livro "DOSSIER REGICÌDIO" de prof. mendo castro e depois digam-ne se os republicanos estavam ou não implicados ... p
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