03 fevereiro 2008

Re(vi)ver o passado

A TSF passa reportagens muito interessantes ao Domingo. Hoje foi sobre o regicídio: Crónica de um Regicídio Anunciado.

Tenho andado muito absorvida pela vida profissional, pelo que não tenho podido estar atenta ao que se passa. Mas não deixou de me escapar o aproveitamento político das comemorações do centenário do assassinato de D. Carlos e do Príncipe herdeiro.

Claro que foi um assassinato. Claro que o assassínio é sempre condenável. Mas não deve ser visto desenquadrado da perspectiva histórica, do contexto da época, nomeadamente do resto da Europa.

O assassinato do rei foi o início do fim da monarquia. Nem D. Carlos era tão mau como toda a propaganda anti-monárquica e republicana sempre fez crer, nem tão extraordinário com agora outro tipo de propaganda transmite. Tal como os seus assassinos, que deram a vida por uma causa, nem foram os heróis que alguns mitificaram, nem os algozes que os revivalistas nos insinuam.

A monarquia caiu, foi decapitada, para usar um termo que ouvi na reportagem. Era o entendimento de alguns, na época, a necessidade e inevitabilidade de matar “as cabeças” da monarquia e da ditadura, de forma a libertar o povo e a instaurar outro regime. Provavelmente a República também seria inevitável, mesmo não havendo extremistas que executassem a solução mais radical. Não sabemos, tudo o que dissermos é especulativo.

Mas a reabilitação do rei D. Carlos como de (...) um português que sempre procurou servir a pátria (...) não deve evitar a reflexão e reabilitação de todos os que lutaram e morreram pelos ideais e pela causa republicana, embora traídos até pela prática política, no decurso da I República.

Veremos se as comemorações do centenário da Implantação da República terão a relevância política, o protagonismo de historiadores, Assembleia da República e outras figuras institucionais, assim como o protagonismo do Chefe de Estado, pelo respeito que a história do país e que os ideais republicanos nos merecem.

5 comentários:

  1. "Não venho matar o rei..."
    Nem sou de matanças, nem tão pouco se mata o que não existe.
    Apenas venho aqui para a felicitar pela lucidez do post.
    Cumps

    ResponderEliminar
  2. Donagata02:00

    Está visto que estamos em fase de branqueamentos. Em verdade é mesmo o que está a dar. Primeiro foi Salazar que está a um passinho da canonização, agora, D. Carlos e também a um passinho do feriado no dia do regicídio. veremos o que se segue...

    ResponderEliminar
  3. Sofia Loureiro dos Santos17:20

    Dona Gata, miaste muito acertadamente!

    ResponderEliminar
  4. Manuel Leão15:46

    Não sei se algum português ou portuguesa está a reviver o passado. Acho muito pouco provável.
    Eu teria preferido escrever: Lembrar a história.
    Mas, enfim, é só um pormenor.

    O que me parece importante dizer, sobre D. Carlos, é o seguinte:

    1 - Terá sido uma pessoa estimável para a sua família e amigos;

    2- Manifestou, de facto, muito interesse pelos assuntos do Mar;

    3 - Pintou aguarelas muito boas, sobre os mais diversos tipos de embarcações, as quais já tive a oportunidade de apreciar. Não era, seguramente, um "curioso" no assunto;

    4 - Mas foi também um Chefe de Estado esbanjador, numa época em que o Povo passava muita miséria e "ostentava" uma das mais elevadas taxas de analfabetismo, na Europa;

    5- Mas foi, principalmente, o instrumento útil e displicente do cínico ditador João Franco, o qual foi também moralmente culpado do assassinato. Ao que consta, D. Carlos terá percebido isso nas vésperas da sua morte.

    E é isto que - quer queiram os Monárquicos de hoje, quer não - ficará para a História do Portugal dos alvores do Século XX.

    Acaso não seria melhor lembrar a morte do Rei D. João II?
    O Príncipe Perfeito, como este grande Rei ficou conhecido para a História, terá sido vítima de envenenamento, tendo sido odiado pela nobreza da época, que lhe chamava tirano.

    Seria melhor, certamente.
    Só que essa morte não pode ser imputada aos Republicanos!

    ResponderEliminar
  5. Rui Monteiro12:51

    Leiam o livro "DOSSIER REGICÌDIO" de prof. mendo castro e depois digam-ne se os republicanos estavam ou não implicados ... p

    ResponderEliminar

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...