O movimento cívico que se uniu à volta da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República foi importante e tinha um objectivo: as pessoas não se reviam em nenhum dos candidatos, e as que estavam mais ligadas à esquerda, não gostaram da forma como o candidato apoiado pelo PS foi escolhido - pelas cúpulas do partido sem atenção ao que a tão falada sociedade civil pensava. Nesse sentido o movimento cívico tinha uma alternativa, um objectivo e lutou por ele.
O movimento cívico que se gerou em volta da candidatura de Helena Roseta à Câmara de Lisboa teve exactamente a mesma lógica: uma significativa parte de apoiantes e militantes do PS, e não só, não perceberam a forma como foi escolhido o candidato oficial do PS e Helena Roseta protagonizava uma alternativa com objectivos claros e programa definido para a presidência do município.
A corrente política que se gera à volta de Manuel Alegre, dentro do PS, não se percebe se tem e qual é o seu objectivo estratégico, qual as alternativas que propõe nem o que pretende alcançar.
Se é a discussão política interna do PS, o debate de ideias num partido governamentalizado, a proposta de soluções concretas ao que se considera errado e mal conduzido, sacudindo o imobilismo de uma situação política em que não há oposição, é estimulante e indispensável.
Mas as declarações de Manuel Alegre são dúbias, difíceis de interpretar, algures entre a chantagem, a bravata e as previsões catastrofistas. A ameaça de se o desafiarem vai às urnas no país, não se entende.
Que significa isto? Se a discussão é dentro do partido, para abrir janelas e arejar ideias, se as alternativas são construtivas e exequíveis, porque não disputa Manuel Alegre a liderança do PS? Se ameaça ir às urnas no país, quer dizer que vai criar outro movimento de opinião que o apoie a concorrer ao lugar de Primeiro-Ministro, visto que as suas propostas serão diferentes e partilhadas por muitos cidadãos anónimos, dentro e fora do PS? Mas para isso é mesmo necessário que haja propostas concretas, políticas alternativas, objectivos sustentados e uma estrutura que demonstre a possibilidade de os atingir, caso a eleição seja alcançada.
Ou então, embora o negue veementemente, está em embrião a criação de um novo partido, situado à esquerda do PS. Estamos em democracia e as formações partidárias, tal como os movimentos de cidadãos, têm toda a importância. Mas, mais uma vez, qual o programa, os estatutos, os princípios, as propostas concretas para o governo, alternativas a este PS que apelidam de neoliberal?
Este caminho é pantanoso, muito pouco claro e gostaria que Manuel Alegre (que admiro e que apoiei), assim como quem o rodeia nesta tentativa de refundação da esquerda, medite bem nas consequências de gestos e palavras grandiloquentes mas sem consistência. O que está em jogo é um modelo de sociedade e um conjunto de valores que devem ser aplicados no terreno, nas circunstâncias de hoje, com os problemas económicos, de desemprego e desigualdade sociais muito resultantes do fenómeno da globalização, do regresso dos fundamentalismos religiosos, da tutela da democracia no que diz respeito à liberdade de expressão de pensamento, como é exemplo a proibição de um cartaz de publicidade no metro de Londres, com uma pintura com um nu feminino, desafios totalmente diferentes dos que existiam há 30 há 30, 20, 10 ou 5 anos.
Se há propostas eu gostaria de as conhecer, propostas concretas: o que fazer na educação, na saúde, na justiça, como enfrentar o fenómeno do desemprego e das desigualdades sociais, como aumentar o crescimento económico, como lidar com o fenómeno da imigração, da violência, do terrorismo, como manter um sistema de reformas e pensões justo e digno.
Se estas existem e não tiverem cabimento no PS, então Manuel Alegre que o demonstre e que lute por um lugar de Primeiro-Ministro para as colocar em prática. Se não quer sair do PS, que esclareça de uma vez por todas o que quer dizer com ir a votos no país.
Se não, a única coisa que me ocorre é que estamos perante um fenómeno de populismo pseudo esquerdista, que ninguém sabe o que pretende e ninguém sabe onde irá parar. Mas a experiência do PRD, desses impolutos justicialistas, não foi muito interessante.
O movimento cívico que se gerou em volta da candidatura de Helena Roseta à Câmara de Lisboa teve exactamente a mesma lógica: uma significativa parte de apoiantes e militantes do PS, e não só, não perceberam a forma como foi escolhido o candidato oficial do PS e Helena Roseta protagonizava uma alternativa com objectivos claros e programa definido para a presidência do município.
A corrente política que se gera à volta de Manuel Alegre, dentro do PS, não se percebe se tem e qual é o seu objectivo estratégico, qual as alternativas que propõe nem o que pretende alcançar.
Se é a discussão política interna do PS, o debate de ideias num partido governamentalizado, a proposta de soluções concretas ao que se considera errado e mal conduzido, sacudindo o imobilismo de uma situação política em que não há oposição, é estimulante e indispensável.
Mas as declarações de Manuel Alegre são dúbias, difíceis de interpretar, algures entre a chantagem, a bravata e as previsões catastrofistas. A ameaça de se o desafiarem vai às urnas no país, não se entende.
Que significa isto? Se a discussão é dentro do partido, para abrir janelas e arejar ideias, se as alternativas são construtivas e exequíveis, porque não disputa Manuel Alegre a liderança do PS? Se ameaça ir às urnas no país, quer dizer que vai criar outro movimento de opinião que o apoie a concorrer ao lugar de Primeiro-Ministro, visto que as suas propostas serão diferentes e partilhadas por muitos cidadãos anónimos, dentro e fora do PS? Mas para isso é mesmo necessário que haja propostas concretas, políticas alternativas, objectivos sustentados e uma estrutura que demonstre a possibilidade de os atingir, caso a eleição seja alcançada.
Ou então, embora o negue veementemente, está em embrião a criação de um novo partido, situado à esquerda do PS. Estamos em democracia e as formações partidárias, tal como os movimentos de cidadãos, têm toda a importância. Mas, mais uma vez, qual o programa, os estatutos, os princípios, as propostas concretas para o governo, alternativas a este PS que apelidam de neoliberal?
Este caminho é pantanoso, muito pouco claro e gostaria que Manuel Alegre (que admiro e que apoiei), assim como quem o rodeia nesta tentativa de refundação da esquerda, medite bem nas consequências de gestos e palavras grandiloquentes mas sem consistência. O que está em jogo é um modelo de sociedade e um conjunto de valores que devem ser aplicados no terreno, nas circunstâncias de hoje, com os problemas económicos, de desemprego e desigualdade sociais muito resultantes do fenómeno da globalização, do regresso dos fundamentalismos religiosos, da tutela da democracia no que diz respeito à liberdade de expressão de pensamento, como é exemplo a proibição de um cartaz de publicidade no metro de Londres, com uma pintura com um nu feminino, desafios totalmente diferentes dos que existiam há 30 há 30, 20, 10 ou 5 anos.
Se há propostas eu gostaria de as conhecer, propostas concretas: o que fazer na educação, na saúde, na justiça, como enfrentar o fenómeno do desemprego e das desigualdades sociais, como aumentar o crescimento económico, como lidar com o fenómeno da imigração, da violência, do terrorismo, como manter um sistema de reformas e pensões justo e digno.
Se estas existem e não tiverem cabimento no PS, então Manuel Alegre que o demonstre e que lute por um lugar de Primeiro-Ministro para as colocar em prática. Se não quer sair do PS, que esclareça de uma vez por todas o que quer dizer com ir a votos no país.
Se não, a única coisa que me ocorre é que estamos perante um fenómeno de populismo pseudo esquerdista, que ninguém sabe o que pretende e ninguém sabe onde irá parar. Mas a experiência do PRD, desses impolutos justicialistas, não foi muito interessante.
É um grande poeta. Para Ítaca ainda era capaz de embarcar...
ResponderEliminarManuel Alegre é um poeta e a maior parte da vida dos poetas, é feita a sonhar!
ResponderEliminarRespeito-o como grande democrata que é e pessoa íntegra, mas nunca votaria em Manuel Alegre nem sequer para Presidente de uma Junta de Freguesia!
Posso estar a ser injusto, mas, até prova em contrário, não lhe reconheço qualquer competência a não ser para escrever livros ou para fazer aqueles discursos inflamados na Assembleia da Repúblicas.
Para resolver os problemas do país é preciso muito mais!
Votei e manifestei o meu apoio à candidatura de Manuel Alegre nas presidenciais. Pelo que isso significava de crítica à política do Governo e de crítica à posição de Mário Soares. Tenho um enorme respeito por MA a que não é estranha a marca afectiva que vem dos tempos do combate ao fascismo. Mas reconheço a pertinência da crítica às suas declarações. Só que "apenas" as considero infelizes. E não sendo eu pró-PS, adivinha-se que já lhe encontrei defeitos mais graves. amp
ResponderEliminarManuel Alegre criou expectativas e foi um fogo que depressa se apagou. Fala muito, mas age pouco no sentido de criar um projecto dotado de sentido. Toda a gente diz é poeta, é poeta. Então fique poeta....mas não lançe labaredas que morrem na ribeira...
ResponderEliminarAnad