21 dezembro 2007

Fazer sentido

Também não sei o que é o verdadeiro espírito de Natal. De ano para ano agrava-se a vontade de me encolher a um canto e dormir, com a hora do despertar lá para meio de Janeiro.

E no entanto, o ritual das couves e do bacalhau, das rabanadas e da aletria, da mesa que se põe vagarosamente, da cozinha envolta em bruma nevoenta de vapor d’água e de cheiros, a sensação de estar a fazer o que é certo quando se abre a porta à família, dos encontros com os amigos a sério, a quem se deseja a sério que tudo lhes corra bem, nem que seja neste intervalo quase virtual, quase verdadeiro, esta sensação não passa, apenas se aprofunda de ano para ano.

Quando a cidade está em silêncio, à noite, e rodamos pelas avenidas ladeadas de árvores luminosas, com o barulho dos pneus nos restos da chuva, parece que a paz é possível, que há uma regra misteriosa e universal a que obedecemos, que nos torna ligeiramente melhores, por alguns instantes, aqueles maravilhosos instantes em que tudo parece fazer sentido.

6 comentários:

  1. A.Teixeira22:11

    Excelente texto de Natal!

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  2. ... contudo, não resisto a desejar-lhe "Festas Felizes" ...

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  3. Belo texto.
    A quadra alegre do Natal é mesmo triste...

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  4. Clara Branco00:33

    Espero que passe um Óptimo Natal, apesar de saber que não aprecia particularmente esta época do ano. O importante, é sim, estar na presença dos que mais amamos!
    Muitos Beijinhos!

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  5. Donagata01:06

    Mesmo quando a vontade não ajuda e as questões são muitas nada parecendo fazer sentido, é verdade que algo nos empurra para o que já se instalou na memória e lá permanece de ano para ano, não permitindo que se altere essa ordem pré-definida. Provavelmente também não faria sentido... Provavelmente traria mais questões ainda...

    P.S.
    Concordo intiramente com A. Teixeira

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  6. ibisvermelho09:24

    Também gostaria de hibernar nesta altura do ano! Mas onde pudesse sentir o cheiro da calda de açucar, da canela e da resina do pinheiro, estar na penumbra quente da lareira em posição fetal e, ao longe, ouvir o canto do galo sentindo, levemente, que o Mundo ainda faz sentido. Longe do embrulho fatela, do laço hipócrita, do arrebique de última hora, do beijo fugidio, do afago de circunstância. Longe de tudo o que não é Natal!

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