06 outubro 2007

Projecto de Tratado Reformador (2)

A minha satisfação pela publicação dos textos do projecto de tratado reformador foi imensamente precipitada.

Tal como diz Luís Naves no DN em letras garrafais, são quase ilegíveis, pois apenas remetem para as transformações, adições e subtracções de texto a tratados prévios, incompreensíveis para quem não os sabe de cor, e uma tarefa hercúlea para quem os queira comparar.

Desconfio que, como muito bem sugeriu A. Teixeira, que esta solução não será inocente. Ao contrário do que deveria ser o dever dos nossos representantes, dificulta-se ao máximo a participação cívica, a discussão das ideias fundamentadas, servindo-se a verdade oficial em fascículos, cirurgicamente combinada entre os vários actores.

Esvazia-se assim de conteúdo a proposta referendária. Referendar algo incompreensível, com cerca de trezentas páginas, é impossível.

Parabéns aos arquitectos dos directórios que tecem as teias onde, cada vez mais, se instala a descrença e a distância entre quem fala e quem ouve. Já ninguém presta atenção e preferem-se outras ocupações.

No entretanto, e para entreter as massas, há sempre a eterna Casa Pia e Catalina Pestana, a corrupção e João Cravinho.

4 comentários:

  1. lino19:01

    Pois!

    Eu fui ontem ver a correr e deparei-me com:

    * 2 páginas de projecto de não preâmbulo;

    * 152 páginas de alterações às alterações previamente alteradas;

    * 76 páginas de protocolos protocolares devidamente protocolados;

    * 25 páginas de declarações declarativas.

    No fundo: uma Serra da Estrela que pariu um rato do tamanho dos Himalaias + Andes + Kilimanjaro.

    Começa a perceber-se porque votarei contra?

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  2. Anónimo21:13

    É espantoso como os líderes europeu estão a cavar alegremente a tumba onde a União Europeia, a prazo, será sepultada. Quando uma qualquer crise afectar signficativamente os cidadãos europeus e estes lançarem as culpas para a União, mesmo que ela nada tenha a ver com isso.
    Enfim, uma certa indigência mental...
    LS

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  3. Luis Naves17:53

    agradeço a referência ao título do artigo no DN. Como sabes, sou contra o referendo, expliquei isso em posts que publiquei no corta-fitas. As razões são sobretudo políticas e penso que não faz sentido um referendo em que é impossível uma das opções. no entanto, acho que a lógica "tratado ilegível-impossível referendo" dará origem a um problema grave, que tu sublinhas aqui: as pessoas deixam de acreditar nesta europa que lhes traz inegáveis benefícios. Os políticos perderam as estribeiras. A constituição era legível e compreensível para o comum dos mortais. Este texto é incompreensível e, por isso, é que tem de ser debatido e discutido. Que seja um título meu a dar-lhes um argumento, isso chateia-me, mas há dias em que não se pode sair de casa.

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  4. Sofia Loureiro dos Santos22:14

    Obrigada a todos pelos comentários. O debate sobre este tratado e sobre a existência ou não de referendo deveria ser político. A sensação que fica é que os textos são propositadamente ilegíveis para excluir qualquer veleidade referendária.
    Lino, não sei se terá oportunidade de votar.
    LS e Luís Naves, concordo quanto às consequências do afastamento dos cidadãos (da ideia) da Europa.

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