Todas as famílias são disfuncionais.Há pais ausentes e mães dragões, pais galinhas e mães tecnocráticas, pais e mães do mesmo sexo, pais e mães sem sexo, filhos únicos tímidos, filhos únicos centros de mesa, filhos múltiplos que se matam, filhos múltiplos que se amam, mães solteiras, pais viúvos, mães e pais separados dentro de casa, mães e pais separados por continentes, mães e pais sem filhos, filhos sem pais nem mães, avós que são pais, avós que são filhos, filhos que fazem tudo, pais e mães super todos, filhos malcriados, embirrentos, quezilentos, pais torturantes, manipuladores, abusadores, assassinos, filhos que sovam os pais e os avós, que fogem, que roubam, que se drogam, que se matam de fome, que se matam de fartura.
A minha família só é normal porque é minha e porque nela aprendemos a gerir o nosso quotidiano, os nossos amores e desamores, a nossa parcela necessária e suficiente de desajustamento.
Não há modelos, normas ou critérios aplicáveis, objectivos e testados, de se crescer em harmonia, com o mundo ou connosco.
Todos os dias procuramos fragmentos da felicidade, cada um à sua medida, cada forma irrepetível e teimosa. No fundo, se nos afastarmos um pouco do nosso conglomerado celular, veremos que tudo é absurdamente igual e por isso mesmo eficazmente diferente.
(pintura de Bé van der Heide: the Good Lord is looking after you)
O conceito de família disfuncional é, quanto a mim, demasiado lato para podermos dizer que esta ou aquela família são ou não são disfuncionais. Contudo, em todas as famílias, num círculo mauis ou menos alargado, encontramos seguramente alguns dos estereótipos que tão bem descreves. A nossa não será excepção.
ResponderEliminarA tua, contudo, aquela que é mesmo tua, essa é NORMAL. E, sim, porque é tua.
Obviamente, o que eu queria dizer era: "...que esta ou aquela família é ou não é disfuncional."
ResponderEliminarA preguiça de ler o que escrevo é o que dá...
OFacto de todos sermos originais
ResponderEliminarTORNA-NOS OBVIAMENTE DIFERENTES
Funcionais por pacto
na ausencia dos espelhos
esse é o ponto de partida: "todos somos doentes".
ResponderEliminarO ponto de partida é precisamente o oposto, penso eu. A normalidade é uma panóplia enorme de situações, que muitas vezes se confundem com doença. Tendemos sempre olhar o que é diferente como anormal, pois a nossa tabela de medidas é muito estreita.
ResponderEliminarA tua família é deliciosa. Mais do que normal.
ResponderEliminarBeijinhos :)