25 julho 2007

O medo

Posso não concordar com a discordância de Manuel Alegre em relação a algumas políticas governamentais, posso não concordar com Manuel Alegre no seu vaticínio de morte ao SNS, posso até não concordar com Manuel Alegre sobre a forma como se pretende ratificar o aposentado Tratado Reformado.

Mas felizmente que há algumas vozes no PS que dizem o que é elementar, ou seja, simplesmente dizem o que pensam, exprimem as suas opiniões, mesmo com o risco de ser menorizado, mesmo com o risco de se lhe colarem projectos de secessão, com as contabilidades bem organizadas, independentemente de existir ou não essa vontade ou intenção.

O perigo não está em Sócrates, está naqueles que o rodeiam, que o separam da realidade, naqueles que se calam, naqueles que são cúmplices.

Mesmo que o medo seja diferente do medo da época de Salazar, mesmo que o medo seja causado pela forte possibilidade do desemprego, pela crise económica e social, pelo individualismo, a verdade é que estamos limitados na nossa capacidade de sermos livres.

Dentro ou fora dos partidos, do governo e da oposição, é preciso que todos assumam as suas responsabilidades: falando, escrevendo, cantando, pintando, não vergando a todo e qualquer sintoma de medo.

(escultura de Francisco Simões: Manuel Alegre)

2 comentários:

  1. Bernardo Moura00:38

    Sem dúvida.
    São necessárias e bem vindas novas teorias, mesmo erradas. Pois pegando nas erradas, fazem-se correcções e ficam correctas.
    Bj

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  2. Cristina Loureiro dos Santos00:41

    O pior é que eu também acho que o clima que se vive não é o mais leve...

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