01 julho 2007

Nomeações

O regime de intimidação, autoritarismo e compadrio político que se vive (e que já se viveu noutras legislaturas) é atrofiante para os cidadãos, reduz a confiança nos governantes e instala a cultura dos capachos profissionais, os olhos e ouvidos dos chefes, tudo o que é mais contrário e pernicioso à vivência democrática. Pelo que temos lido na imprensa, os casos da DREN e do Centro de Saúde de Vieira do Minho são disso excelentes exemplos (se bem que não entendo porque é que um caso passado em Janeiro só agora seja notícia).

Mas, mais uma vez segundo o que leio na imprensa, mais precisamente no Público de hoje (página 8), o caso da não recondução do cirurgião Fernando Portal como director do Hospital Distrital de S. João da Madeira, cargo que exercia há 17 anos, não é idêntico e não pode ser confundido com os outros.

O Director de um Hospital é um lugar de nomeação política. Podemos discutir a correcção ou incorrecção da lei mas, neste caso, não é isso que está em causa. Sendo um cargo de nomeação política, depreende-se que quem o ocupa se revê ou, pelo menos, se compromete a seguir a política e as orientações governamentais.

Ora parece que o Dr. Fernando Portal declarou publicamente a sua divergência em relação à reestruturação dos serviços de urgência, no que dizia respeito ao fecho dos mesmos no Hospital que dirigia.

É um direito que lhe assiste, obviamente, é mesmo um dever de quem pensa e tem lugares de direcção dentro da rede de prestação de cuidados de saúde, se discorda, combater as medidas que considera prejudiciais e contrárias ao bem-estar da população.

Mas cabe ao ministro ajuizar se quem escolhe para a direcção de uma unidade de saúde, e repito é uma escolha política, tem condições políticas para implementar as medidas decididas por ele e pelo resto do governo.

O que me espanta é o próprio Dr. Fernando Portal não ter apresentado a sua demissão por estar em total desacordo com o fecho das urgências do seu hospital.

Acho que se confunde muito o direito de divulgar opiniões com a responsabilização e assumpção das consequências desse mesmo acto. Somos livres de discordar das opções políticas do Ministro da Saúde. O que não podemos é esperar que o Ministro nomeie para a direcção das unidades de saúde pessoas que discordam da sua política e que, logicamente, não terão as melhores condições políticas para exercerem esses cargos.

3 comentários:

  1. lino18:50

    Eu vi o "ganda nóia" no telejornal. Se alguns ministros não têm espelho em casa, o pretenso "chefe" da oposição não tem nem espelho nem um banquinho para a ele se olhar. Este contradiz o ditado, porque a sua qualidade "mede-se aos palmos".

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  2. Sofia, antes de mais não tenho grande garantia de que o que te estou a dizer não seja com base em informação manipulada. É triste ter de começar uma conversa por aqui, mas de facto a precaução impôe-se. No entanto, pelo que li, parece que não terá sido exactamente isso: o tal director, tendo sido consultado sobre o assunto, terá emitido a sua opinião nesse exacto contexto. Ele terá o direito a pensar como pensa e mais do que isso: todos nós deveremos cuidar do privilégio de podermos ter pessoas que pensam diferentemente. Não me parece que ele tenha feito mais uso da sua opinião divergente, ou que tenha tirado dai razão para não se comprometer com as medidas tomadas pelo Ministério. :)

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  3. Sofia Loureiro dos Santos11:28

    JPN, obrigada pela sua visita. O problema é precisamente esse, em quem acreditar, que informação é fidedigna, a qual informação temos direito. Acredito que seja como diz, mas..

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