21 julho 2007

Ir às compras

Ir às compras é o pior que me pode acontecer. Explico: não é ir às compras no sentido de rumar ao supermercado, normalmente aos domingos, com o sentido do dever que herdei sei lá de quantos avoengos, e encher o carrinho com arroz, batatas, carne, fruta, legumes, papel higiénico, etc. Nem é ir às compras no sentido de precisar de comprar alguma roupa, normalmente aos domingos, indo directamente às lojas que interessam, ver, experimentar, se gostas compras, se não gostas sais, tudo rápido e eficaz. Se há muita gente nas lojas fujo e regresso mais tarde. Para mim as compras são uma tarefa doméstica, mesmo assim praticada mais frequentemente do que seria estritamente necessário. A única excepção a esta regra é o gozo que tenho ao entrar nas livrarias, folhear os livros, cheirar os livros e comprá-los.

Portanto quando ouço alguém desafiar-me para, num dia de férias ou de fim-de-semana, ir ver as montras ou ir às compras, só por ir ver montras e comprar coisas, independentemente de se precisar delas, fico assustada e recuso veementemente.

Mas, mesmo assim, há alturas em que não podemos recusar, porque quem nos pede merece os nossos maiores sacrifícios. No fim de três horas enfiada num centro comercial, em que entrei e saí de várias lojas para assistir à deambulação, observação, palpação de tecidos, experimentação de sapatos, abertura de carteiras, considerações variadas, propositadas e despropositadas, a somar a filas intermináveis de carros à ida e à volta, tudo isto sem me irritar e sem zarpar a alta velocidade, cheguei a casa firmemente convencida de que já podia (e devia) ser canonizada.

4 comentários:

  1. Bernardo Moura19:39

    Também detesto.

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  2. impaciente19:53

    Nessas cerimónias sou, de corpo e alma, impaciente convicto!

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  3. Cristina Loureiro dos Santos20:45

    Hummmm... Foste às compras, hem?
    lolol

    ;)

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  4. Ter de comprar é muitas vezes um drama, principalmente, para os que apenas têm para vender (e mal) a sua força de trabalho.

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