24 junho 2007

e, se me vires

e, se me vires

saber-me-ás de arcabouço forte
cingido por laçadas de corpete assente sobre uma pele de cambraia fina
adivinhar-me-ás meias de seda enrugadas na dobra da liga
o vulto armado de negro merino
coberta a curva do pescoço, a linha do colo, a cintura roliça
cerrada a largura da anca
expostos que se encontram os ossos dos tornozelos, as mãos demasiado grandes
os pés arqueados.

e, se me vires
encontrar-me-ás de cabeça descoberta e cabelo desgrenhado
as faces demasiado pintadas, os lábios bem desenhados
dos lóbulos brancos pendentes filigranas, arestas perfumadas.

mas, se me olhares,
despido estará apenas este meu desencontrado
descarnado olhar.

(poema de Cláudia Santos Silva; pintura de Henri Matisse: Nu Bleu II)

4 comentários:

  1. Bernardo Moura22:43

    Gostei muito!
    Bjs

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  2. Sofia Loureiro dos Santos23:00

    Vale mesmo a pena conhecer este blogue: http://www.bluemolleskin.blogspot.com/

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  3. lino19:04

    Gostei do poema, mas ainda bem que não é seu. Quando comecei a lê-lo, não estava nada a imaginar a Sofia de corpete, meias de liga e cintura roliça.
    PS:sei muito bem o que isso é, pois tenho seis irmãs, todas mais velhas do que eu.

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  4. Sofia Loureiro dos Santos21:10

    Lino, de facto EU também não me imagino de corpete e meias de liga, mas lá roliça...

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