Com as mãos que afagamque amparam
que apagam medos,
com as mesmas mãos
que semeiam
que vestem almas,
com os mesmos dedos
armados de espadas
agudos em punhais,
empalamos asas
decepamos risos
desfazemos casas.
Estes olhos que choram
ao florir do sangue
são os mesmos que olham
o esgar exangue
dos braços na cruz.
São o brilho da luz
do metal que fere,
do portal aberto
que o mal confere,
um sinal incerto
para lamber a morte
e beber da vida.
[Abril de 1994, Ruanda; filme realizado (2005) por Raoul Peck: Sometimes in April)
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