Já que se fala de HPV, gostaria de juntar o seguinte:O Human Papilloma Vírus (HPV) ou, em português, Vírus do Papiloma Humano (VPH), é responsável por vários tipos de lesões verrucosas na pele (verrugas vulgares) e na mucosas (da boca, da laringe, do esófago, dos órgãos genitais – pénis, colo do útero, vagina), ânus, etc. (condilomas). Este vírus propaga-se por contacto directo (as verrugas multiplicam-se pela pele, habitualmente por contágio feito com as mãos do próprio, os condilomas nos órgãos genitais propagam-se por intermédio de contactos sexuais).
Há muitos tipos de VPH, ou seja, os que causam as verrugas na pele são diferentes dos que causam condilomas. Numa enorme percentagem de casos, embora as pessoas possam ser infectadas pelo vírus, o seu sistema imunitário fá-lo desaparecer rapidamente (clearence viral) e não chegam a desenvolver quaisquer lesões.
Isto é verdade para todas as infecções, nomeadamente as dos órgãos genitais. Assim, durante a vida sexual das mulheres e dos homens, há inúmeras infecções por VPH que são resolvidas sem qualquer problema.
Vários tipos de VPH estão associados ao desenvolvimento de lesões benignas – VPH de baixo risco (VPHbr), enquanto outros tipos estão associados ao desenvolvimento de lesões pré cancerosas e de cancros – VPH de alto risco (VPHar), neste momento já identificados 14. Estas infecções são muitíssimo frequentes, estimando-se que as mulheres entre os 25 e os 50 anos tenham 80% de probabilidade de ser infectadas por VPHar.
Estudos feitos em várias áreas geográficas demonstraram que, para que haja desenvolvimento de lesões pré cancerosas, é necessário que haja uma infecção viral persistente, o que acontece em cerca de 20% das infecções em mulheres com menos de 25 anos e em 50% de infecções em mulheres com mais de 50 anos.
Ou seja, apenas 6 a 11% das mulheres que tenham infecção persistente por VPHar desenvolvem lesões pré cancerosas, e destas apenas uma em cada mil mulheres (1/1000) terá um cancro.
Tudo isto para concluir que, embora todos os cancros do colo do útero (um dos cancros frequentes em mulheres) estejam associados a infecção por VPHar, ter infecção por VPHar só numa pequena percentagem de casos significa ter lesões pré cancerosas e, ainda em menor percentagem, cancro.
Ai Sofia, Sofia!
ResponderEliminarÉ claro que toda a informação é relevante e sei que a vacina só previne 4 dos vários tipos de HPV, mas que são os mais perigosos. E que ainda não há vacina para os homens, situação que está a ser investigada.
Só espero é que estas duas postas (refiro-me também à seguinte) não funcionem ao contrário do pretendido e que, em vez de dizerem ás mulheres (responsáveis por si próprias e pelas filhas) que a vacina não é remédio miraculoso, inspirem algum Trujillo da igreja cá do burgo a fazer campanha anti-vacinação porque não é eficaz. O que eu quis evitar, porque nunca sabemos quem nos visita. De qualquer forma, obrigado pela referência.
Muito obrigado pelos esclarecimentos e pela ligação, Sofia. E aproveito para manifestar a minha discordância com as cautelas paternalistas do comentário anterior.
ResponderEliminarEm primeiro lugar há que contar com duas páginas nobres de um diário de grande circulação a promover uma vacina para cancros. Recorde-se que o ante-título da notícia foi PRIMEIRA VACINA QUE PREVINE CANCRO.
Depois tenho os dados deste poste que me dizem que existe uma probabilidade de que 0,006% a 0,011% das mulheres infectadas virem a desenvolver um cancro, pormenor que não me aparece identificado na notícia.
Pelo contrário, na notícia e neste poste, aparecem informações que sugerem que estarão para aparecer vacinas mais desenvolvidas que poderão tornar a mencionada rapidamente obsoleta. Se assim for, será um problema para a Sanofi se não as vender já…
Perante este cenário, que me parece típico de uma guerra comercial, qual será a probabilidade que o cerne do problema venha a ser o das pregações anti-vacinação dalgum clérigo mais retrógrado (mesmo que não se chame Trujillo)? 0,006% a 0,011%?
Paternalista, eu?
ResponderEliminarO amigo A. Teixeira vive em que país? Não conhece os truques sujos que estão a utilizar na campanha do "não"? "Terços" de desagravo, folhetos com lágrimas, livros com hipotéticos arrependimentos, ameaças de excomunhão, etc? "Eles" também têm acesso à informação. E o que se passa nos Estados Unidos há mais de seis meses não é bom prenúncio. As tácticas só chegam cá mais tarde.
Agradeço os comentários de Lino e A. Teixeira.
ResponderEliminarLino, não sei se percebi bem o seu comentário: a informação contida nos “posts” está incorrecta ou acha-a demasiada? Se está incorrecta agradecia que me apontasse onde e o quê, para que eu possa investigar e, se for caso disso, emendar. Na segunda hipótese, penso que a informação nunca é demais. Só o conhecimento faz as pessoas terem opiniões e tomarem decisões fundamentadas. A omissão de informação por receio desta ser "mal utilizada" é, de facto, um argumento paternalista, como disse A. Teixeira, que os defensores do obscurantismo e os legionários da fé praticam. Também nos regimes totalitários havia quem decidisse o que o povo podia ou não podia saber. Não é essa a minha forma de ser e de pensar.
A. Teixeira, também acho que este súbito e intenso interesse pela vacina é suspeito… Mas não quero deixar a sensação de que não considero a vacina importante e que não estou de acordo com a sua implementação, o que não é verdade. Mas compreendo a cautela das entidades oficiais e a necessidade de estudos de custo/eficácia antes de a incluir no Plano Nacional de Vacinação.
Sofia:
ResponderEliminarA informação, tanto quanto sei, está correctíssima. Eu não quis ser paternalista, mas as percentagens dão uma ideia de que o número de casos é insignificante e eu não acho que a morte de 300 portuguesas por ano, por esse motivo, seja insignificante. Eu não defendo que tudo o que vem dos Estados Unidos é bom, mas há coisas que o são. Eles têm 30 vezes mais população do que nós e as mortes de cancro cervical são "apenas" 12 vezes mais (3.700) e estão dispostos a investir milhares de milhões de dólares numa vacinação em massa. Só ainda não o fizeram porque a direita religiosa se opõe. Só isso. E acho que as nossas autoridades não agiram por cautela, mas sim porque não há dinheiro para o SNS pagar a vacinação. Aliás, eu escrevi antes de sair no Público (que não leio) e só quis partilhar informação e alertar para o facto de a cobertura televisiva ter sido "muita parra e pouca uva".