
A cena em tons de terra, com artefactos de madeira rudes e nodosos. O som de cordas onduladas, arranhadas, as vozes que soam dolentes, arrastadas, os badalos e a percussão secos, agrestes, ecoando.
As figuras castanhas, com capas, as cabeças cobertas, tapadas, que escondem, as mãos em gestos sinuosos, certeiros, comedidos, ajeitam vestes, dobram distraída e mecanicamente as mantas, fiam a lã, cosem segredos ancestrais.
O vento, a cruz, o sino, o pau, a servidão, o hábito, a ingenuidade, o medo, o estranho, o emigrante, a máscara que transportamos, que usamos, que mudamos, a rejeição da diferença, o silêncio.
Por detrás dos Montes, violento e triste, primitivo e belo, de uma beleza terrosa e granítica, que nos atinge como o grito da gaita-de-foles.
Espectáculo do qual se sai sem palavras, mas com as emoções à flor da pele.
“Por detrás dos Montes”, criação do Teatro Meridional
(concepção e direcção cénica: Miguel Seabra; dramaturgia e assistência artística: Natália Luíza; interpretação: Carla Galvão, Carla Maciel, Fernando Mota, Mónica Garnel, Pedro Gil, Pedro Martinez, Romeu Costa; espaço cénico e figurinos: Marta Carreiras; música: Fernando Mota; marionetas: Eric da Costa; desenho de luz: Miguel Seabra)
[O teatro Meridional fica no Beco da Mitra (Rua do Açúcar, 64). É um espaço de tecto muito alto, com um aquecedor de gás cnetral, acolhedor, com algumas mesas em jeito de café teatro, chá e café para aquecer nestas tardes e noites invernosas, e uma sala de espectáculos com cadeiras forradas de vermelho-púrpura]
As figuras castanhas, com capas, as cabeças cobertas, tapadas, que escondem, as mãos em gestos sinuosos, certeiros, comedidos, ajeitam vestes, dobram distraída e mecanicamente as mantas, fiam a lã, cosem segredos ancestrais.
O vento, a cruz, o sino, o pau, a servidão, o hábito, a ingenuidade, o medo, o estranho, o emigrante, a máscara que transportamos, que usamos, que mudamos, a rejeição da diferença, o silêncio.
Por detrás dos Montes, violento e triste, primitivo e belo, de uma beleza terrosa e granítica, que nos atinge como o grito da gaita-de-foles.
Espectáculo do qual se sai sem palavras, mas com as emoções à flor da pele.
“Por detrás dos Montes”, criação do Teatro Meridional
(concepção e direcção cénica: Miguel Seabra; dramaturgia e assistência artística: Natália Luíza; interpretação: Carla Galvão, Carla Maciel, Fernando Mota, Mónica Garnel, Pedro Gil, Pedro Martinez, Romeu Costa; espaço cénico e figurinos: Marta Carreiras; música: Fernando Mota; marionetas: Eric da Costa; desenho de luz: Miguel Seabra)
[O teatro Meridional fica no Beco da Mitra (Rua do Açúcar, 64). É um espaço de tecto muito alto, com um aquecedor de gás cnetral, acolhedor, com algumas mesas em jeito de café teatro, chá e café para aquecer nestas tardes e noites invernosas, e uma sala de espectáculos com cadeiras forradas de vermelho-púrpura]
Que desilusão. Não se passa nada, nada surpreende, não há trabalho de actor...
ResponderEliminarBela M...
Gostei mais deste post do que do espectáculo. Tranmite-me mais sensações do que as cenas me transmitiram. Concordo com o Luis quando diz que não há trabalho de actor e que há um vazio. A música impõe-se demasiado aniquilando tudo o resto e, apesar de haver espaço, não se respira. Dá ideia de uma luta de egos em que um músico vence a seis actores. É muito desequilibrio para que o resultado final seja positivo.
ResponderEliminarsaí muito desiludida.
não concordo contigo joana. O espectáculo é muito bonito e sensorialmente muito comunicativo.
ResponderEliminarEm relação ao desequilibrio entre a música e os actores acho que existe mas não prejudica a obra.
merdionalice
ResponderEliminarEu fui sexta. Não gostei nada.
ResponderEliminarAchei bonito mas despido de conteúdo. As avulosas "mensagens" sensoriais vão-nos guiando mas não nos levam a lado nenhum.
No fim... fica o belo trabalho musical e um ou dois momentos bem conseguidos.
Ao contrário do Espectáculo "À manhã" que me deixou rendida.