15 novembro 2006

Odisseia

Fui recebida pelo vento que me ia virando o guarda-chuva, pela rajada de água quer me foi encharcando, em banhos cíclicos e gelados, ao longo do caminho entra a porta da rua e a porta do carro. Começou pelos pés, cobertos por botas que não aguentaram a invasão líquida, depois as meias, as calças, a gabardina, a camisola, o chapéu, tudo o que tinha vestido ficou mais pesado e mais rígido, abrandando o passo e aumentando o frio que se entranhava nos ossos.

Atravessar as ruas com lagos junto aos passeios, ver por onde andava com o guarda-chuva quase pregado à cara, perceber os alertas amarelos das luzes dos carros antes de estarem mesmo em cima de mim, acrescentou uma aura de mistério e perigo à odisseia invernal de chegar ao carro.

Começou o Inverno, com chuva, frio, vento e noites antecipadas. Como deve ser.

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