Não deixa de ser interessante ler textos vigorosos de analistas/jornalistas sobre o PS, o governo, o PS no governo, Sócrates, Sócrates e o PS, Guterres e Sócrates, comparações e contradições.Guterres era o imperador do diálogo e por isso foi criticado, principalmente à direita mas também à esquerda – falava, falava, mas não decidia, queria agradar a gregos e a troianos, inclusivamente à Igreja, de que é devoto, ficámos a conhecer o socialismo cristão à portuguesa. Com bonomia e pouca determinação lá fomos, rindo e gastando, até à queda da ponte de Entre-os-Rios, que ditou a queda de Guterres, consumada numas eleições autárquicas catastróficas.
Agora temos a determinação, teimosia, autismo, prepotência, autoritarismo sem a emoção de Sócrates, como diz Vasco Pulido Valente, na sua crónica de hoje do Público, tão sábia e inspirada, venenosa e cansativa (como sempre!).
Uma certa direita acusa-o de não fazer reformas, de fingir hipocritamente que tudo está a melhorar, de aumentar a despesa, de não reduzir os impostos, de manter uma corja de funcionários públicos larvar e apodrecida a corroer o estado, de não incentivar o mercado e a iniciativa privada.
Em desespero de causa, uma outra direita travestida preocupa-se com o povo e, principalmente com os funcionários públicos, apela ao diálogo, à negociação, à democratização do governo e do primeiro-ministro, assusta-se com a crispação da sociedade e aconselha-o a ouvir a rua!
À esquerda é o regresso (cíclico) do grande capital, a maior ofensiva desde o 25 de Abril à classe trabalhadora, operários, camponeses e mineiros (!), o neo liberalismo de Sócrates, o enterro do estado social, as greves, os apupos, as acusações aos socialistas de que estão a fazer aquilo que os sociais democratas nunca conseguiram, mas têm pena.
Seria o congresso do PS uma óptima altura de os votantes e apoiantes do socialismo, daqueles que deram a maioria absoluta ao governo, confrontarem, debaterem e dialogarem com os dirigentes, aqueles que decidem porque as críticas da oposição à direita e à esquerda são circunstanciais, sempre iguais e, agora, até se confundem, trocando papéis, a direita desdizendo o que sempre disse, a esquerda, honra lhe seja feita, repetindo o mesmo desde há 30 anos para cá.
Mas, ao contrário de algumas vozes que sempre se resignam a ser do contra, visto que todos os outros se transformam em blocos de unanimidade artificial, os socialistas falam em medo de ser crítico (de quê?), de falar e de sofrer represálias (de quem?), assistindo-se a queixas de "suspensões" e "retiradas de confianças políticas".
E este congresso, o tal que deveria ser para debater ideias e reforçar posições, clarificar políticas e assumir roturas, é uma grande festa em torno do líder e uma grande aclamação do governo, como nos elucidou o Secretário de Estado Valter Lemos, aos microfones da TSF (ontme).
É por estas e por outras que será o PS, e não a oposição, a determinar a derrota do governo, por falta de coragem e de comparência.
Parece-me mais fácil assumir uma derrota por falta de comparência que por falta de competência... e ninguém quer arriscar!!!
ResponderEliminarFelizmente ainda há alguns que se apresentam. A eles ninguém os cala!!
ResponderEliminarSerá porque
ResponderEliminar“há sempre alguém que resiste/há sempre alguém que diz não!”?