18 novembro 2006

Ciência pós prandial

A oradora debitava moléculas, factores de transcrição, agentes desmetiladores, genes supressores e fenómenos epigenéticos, numa sala penumbrenta, em que se ouvia a chuva persistente e miúda, acinzentando o céu e enublando o dia.

Mesmo em frente da esforçada cientista, numa fila de cadeiras vazias, um professor já entradote, rubicundo e ofegante, adormecia compulsivamente a cada resultado cruzado e medido, a cada estudo randomizado.

O interesse daquela comunicação transformou-se rapidamente num estudo observacional do grau de equilíbrio do dito professor, do momento em que ele iniciaria o ressonar ou, em alternativa, do momento em que a inclinação semelhante à da torre de Piza se transformaria em queda aparatosa e embaraçante.

Após vários estremeções e recaídas na mesma atitude acabou, para bem da oradora, do professor e da restante audiência, a sábia oração de sapiência.

2 comentários:

  1. Espero não ter sido a oradora. Estas cenas são repetitivas.
    AMP

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  2. Sofia Loureiro dos Santos20:56

    ...e mais não digo...

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