12 setembro 2006

Medo do terrorismo global


Não vi a totalidade do programa “Prós e Contras” sobre o terrorismo, com Mário Soares e Pacheco Pereira.

Do que vi, Mário Soares está longe da sua forma. Trémulo, pouco preciso, esquecido, trocando palavras, um pouco surdo, Mário Soares é uma pálida amostra do que já foi.

Mas, concorde-se ou não com ele, Mário Soares tem ideias bem definidas. Acha que Bush e a sua administração têm uma lógica imperial, querendo impor os seus valores ao mundo, apelida Bush de fanático religioso, e ataca a estratégia antiterrorista dos USA, olhando para os resultados. Advoga os princípios do direito internacional e repudia o conceito de guerra preventiva. É claro que as humilhações ao mundo islâmico e o diálogo com Bin Laden, a Al Qaeda e afins parecem-me totalmente descabidas.

Por outro lado Pacheco Pereira, que também tem ideias bem definidas, embora aparente aceitar alguns erros da administração americana, compreende e aplaude o “fazer qualquer coisa”, reagir, atacar, tendo inclusivamente aceite a eventual necessidade de invasão do Irão, explicando o conceito de guerra civilizacional. Para Pacheco Pereira, o direito está desfasado da realidade e destas novas ameaças, pelo que não se incomoda muito com os atropelos dos americanos aos direitos humanos, que eles dizem defender.

Dos representantes da comunidade islâmica, e mais uma vez repito que não vi tudo, um deles defende sem defender a teoria da conspiração, segundo a qual os terroristas tiveram a conivência da administração Bush para perpetrarem os ataques de 11 de Setembro.

De todos, pareceu-me que Helena Matos foi a única que teve uma intervenção interessante e lúcida.

Enfim, Mário Soares está velho e senil. E qual é a desculpa de Pacheco Pereira?

5 comentários:

  1. ana luisa00:49

    Tb só vi uns bocados mas concordo contigo. Não sei qual será a melhor solução para vencer o terrorismo, mas, com a "esquerda" a defender a "compreensão", chegando ao cúmulo de se converter ao islâmismo e com a "direita" a defender a "segurança", chegando ao ponto de violar os direitos humanos, não me parece que se vá pelo melhor caminho. Fiquei triste com a senilidade do MS, sobretudo porque imagino que um dia também ficaremos assim. Bom, pelo menos eu tenho uma vantagem: não vou aparecer na TV.

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  2. João Moutinho09:04

    Não consegui ver o programa todo. Resolvi-me deitar quando acabou de falar a Helene Matos, que tal como vocês apreciei imenso.
    Continuo a achar o Pacheco Pereira brilhante, e o facto de achar que ele tem razão em muita coisa que diz não serve de factor de regozijo.

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  3. Vasco Pontes09:30

    hehe... mazinha. Um efeito em mim, insignificantemente colateral: estou a sentir a necessidade de dizer que não sou religioso, e não acredito em deus nenhum... mas, noutra perspectiva, já não sei se a religião é caua ou pretexto, visto que os homens se matam por um penalty mal marcado...
    beijos

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  4. Yvette Centeno19:15

    Querida Sofia, não se diga que Mário Soares está velho e senil.É tão fácil adjectivar assim...Mas quantos, jovens ou mesmo em idade madura, tiveram como ele a coragem de falar quando tantos se calavam?
    Ganhou o nosso respeito e o respeito é para sempre.
    Poderei discordar, mas nunca desrespeitarei.

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  5. Sofia Loureiro dos Santos21:22

    Em primeiro lugar agradeço a todos os comentários.

    Ana Luisa: este é um dos casos em que a análise da situação foi substituida pelos debates apaixonados e cegos, em que as pessoas escolhem primeiro os lados e só depois discutem o problema, ficando esta imediatamente pouco lúcida.

    João Moutinho: também acho o Pacheco Pereira brilhante, o que só aumenta a minha indignação pela forma pouco rigorosa e quase fanática com que defende a estratégia americana na luta contra o terrorismo.

    Vasco Pontes: apesar de tudo penso que a religião é mais pretexto do que causa.

    Yvette Centeno: não fique com a ideia que não respeito Mário Soares. Respeito e muito, pelo seu combate permanente em defesa das suas ideias, que, muitíssimas vezes, partilho, mesmo quando isso é (e foi) difícil. Mas é inegável que não tem a frescura nem a rapidez de raciocínio que já teve, o que não é vergonha, é natural. O que já não me parece natural é expor-se a este tipo de situações, que só o podem diminuir. Há muitas formas de intervenção. Neste momento, esta não me parece minimamente adequada. Aproveito para a cumprimentar pelo seu belíssimo blogue.

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