26 março 2006

Livros (2)


O “Mil Folhas” de ontem (do Público) traz um extenso artigo sobre novas editoras e a pujança do sector editorial no nosso país em crise. É uma boa notícia. Pode significar que, apesar de haver pouco dinheiro, as prioridades dos portugueses em como gastá-lo, estão a mudar.

Há uns tempos tomei conhecimento de que um indivíduo responsável pela escolha editorial de uma editora, se queria lançar no mercado por conta própria. Assim, para publicar um livro, que ele achava de qualidade e que tinha todo o interesse em ser publicado, propunha ao autor que arranjasse um patrocínio para a publicação da obra, que deveria cobrir mais de 50% do total do valor gasto.

Este futuro empresário, para além de não pensar em pagar direitos de autor, achou-se no direito de pedir ao autor um financiamento para a publicação, disfarçada de patrocínio.

No fundo, a editora fornecia alguns serviços (impressão, publicação, distribuição e marketing) e o autor dava o talento, o dinheiro e recebia apenas (e já não é pouco!) a satisfação de ver o livro publicado, à sua custa. É uma edição de autor transfigurada!

Se corresse bem, ganhava a editora, se corresse mal, perdia o autor. É o risco que alguns tipos de empresários estão dispostos a correr. Será este o método da maioria destas editoras que se estão a lançar?

(pintura de Robert Drucker: In the Time We Have Left)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...