31 agosto 2014

Em Setembro


Dean Hunsaker


 


 


1.


Ainda me lembro do perfume doce


das folhas de figueira


desfeitas pelos dedos.


Pedaços de seiva guardada


que transformarão a memória


de uma tarde morna e ensonada


no renascer de um Outono crispado


em chuvas e ventos e nocturnos


serões na leitura da esperança.


 


2.


Não esperes por mim.


Quando a estrada se abrir


estarei já no início do encontro


que tanto desejámos


no outro lado do querer.


 


Não esperes pela madrugada.


Quando o frio do mundo acordar


vestirei a teia de sonhos


em pequenos nós de espanto


no outro canto da certeza.

Persistir

António Costa faz bem em identificar como seu adversário político Rui Rio. De uma só vez demonstra que o seu combate é pelo país, pela vitória nas legislativas, e desvaloriza Passos Coelho como o representante de uma direita credível.


 


De facto precisamos de debate político, de gente inteligente e que tenha uma visão para o futuro, concordemos ou não com ela.


 


Tenho assistido ao propagandear da ideia de que António Costa é igual a António José Seguro, que não diz nada de concreto, que está rodeado de gente do passado, deserdada do poder. Era precisamente esta a estratégia de António José Seguro e do PSD - arrastar e ir minando, pelo cansaço.


 


Por outro lado não me parece que a afluência à inscrição dos simpatizantes tenha sido de molde a alegrar quem gostaria de mobilização e mudança. É triste mas a descrença na democracia é arrasadora. E a desilusão está à espreita, pois a perfeição não existe e D. Sebastião nunca regressou de Alcácer Quibir.


 


Persistência e perseverança - manter o nível e nortear o objectivo pelos grandes temas, não caindo na pequena política. António Costa é uma hipótese de mudança; António José Seguro é a certeza do marasmo e da manutenção desta direita reaccionária e retrógrada.

25 agosto 2014

Das revoluções eleitorais

Multiplicam-se os manifestos para alterações à lei eleitoral. Não percebo porque é que estes assuntos não são discutidos pelos partidos e não são objecto de propostas em campanha eleitoral, para que houvesse legitimidade eleitoral para essas mudanças. Estas propostas cheias de independentes e apelando ao estatuto de independente cheiram-me sempre a populismo. É um assunto demasiado sério para que não seja central na discussão política partidária.

Lucros

Algo me diz que as diversas notícias que, nos últimos dias, têm saído sobre os lucros do BES Saúde e, na generalidade, sobre os lucros no sector privado, não será pura coincidência. Que fique bem claro que não tenho nada contra o sector privado, mas esta insistência causa-me alguma estranheza.

Empedrado

 



Chichorro


 


 


Ecoam os passos no empedrado


a terra seca não gasta a irregular


vontade de andar sempre


um pé adiante do outro


sem descanso nem pausas


até que a distância se evapore


como o tempo que ainda falta


para te reencontrar.


 


Olho para o chão e continuo


sem capacidade para ver mais além


onde sei que passo a passo ecoa o dia


em que de novo caminharemos abraçados.

16 agosto 2014

Das promessas irreformáveis

Não sei se há alguém que ainda acredite no que Passos Coelho diz, seja nas festas do Pontal seja em entrevistas encomendadas. Quanto à sua promessa de não mexer na Segurança Social é apenas motivo de maior preocupação pois será o que, provavelmente, ele tentará fazer.


 


Seria muito importante que Passos Coelho e o PSD explicassem exactamente o que pretendem fazer, quais as reformas preconizadas para a próxima legislatura. Pode ser que, no meio do arrazoado de palavras ditas naquele tom de voz pausado e de barítono, tenor e baixo, de lábios em rictus serius e cabelo bem arrumadinho, não esquecendo os óculos a condizer com o perfil tecnocrático, pudéssemos prever a forma de desmantelamento que se está a preparar.


 


Os apelos ao compromisso com o PS são só mais um episódio de mistificação, repetitivo e cansativo.


 


Enfim, nada de novo.

Do velho ciclo

Também li a moção de António José Seguro. A minha opinião, por muito que me esforce, não é imparcial - é um texto cheio de lugares-comuns, páginas de palavras que não querem dizer rigorosamente nada. Apela aos piores instintos populistas com as palavras em bold - compromisso, luta contra a corrupção, código de ética, responsabilidade, solidariedade, modernidade, cumprir Portugal, etc.


 


Vale a pena ler. Ninguém se deve demitir de perceber quais as soluções que quem se apresenta a votos sugere. E quais as ideias, ou a falta delas, dos que se propõem ser líderes.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...