31 agosto 2014

Em Setembro


Dean Hunsaker


 


 


1.


Ainda me lembro do perfume doce


das folhas de figueira


desfeitas pelos dedos.


Pedaços de seiva guardada


que transformarão a memória


de uma tarde morna e ensonada


no renascer de um Outono crispado


em chuvas e ventos e nocturnos


serões na leitura da esperança.


 


2.


Não esperes por mim.


Quando a estrada se abrir


estarei já no início do encontro


que tanto desejámos


no outro lado do querer.


 


Não esperes pela madrugada.


Quando o frio do mundo acordar


vestirei a teia de sonhos


em pequenos nós de espanto


no outro canto da certeza.

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