29 maio 2011

Tocata e Fuga

 



J. S. Bach & Dave Mathews

 

Palcos


 


 


Seis passos de espera em palcos


fantasmas do inevitável delírio dos actores


inexistência de máscaras onde se escondem


as crateras e paraísos dos bastidores


onde invisíveis nos procuramos.


 


 

28 maio 2011

Mais perfume

 



Adriana Calcanhoto 


 


Quando reclama do meu vestido
quando se zanga porque trabalho
quando se mostra muito amoroso
quando aparece não atrasado


 


Sai para o jogo com ar distraido
e volta pra casa mais perfumado
ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Quando repara no meu cabelo
quando pergunta do meu passado
quando precisa comprar cigarro
porque acordado de um pesadelo


 


Quando sai cedo terno escovado
e volta como quem foi linchado
Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 


Ele acredita que me engano
pensa que sabe mentir o homem que eu amo


 

A uma semana das eleições

 



 


Falta uma semana para as eleições legislativas que, ao contrário do que desejaríamos, não vão alterar substancialmente a escolha efectuada a 5 de Outubro de 2009, mostrando a irresponsabilidade e a inutilidade deste acto eleitoral, provocado pela coligação negativa entre a direita e a extrema-esquerda.


 


A uma semana das eleições, o BE e o PCP colocam-se como partidos que foram, são e serão sempre adereços parlamentares, capazes de se unirem entre si e com os partidos da direita para afrontarem o PS, mas incapazes de se entenderem entre si e com o PS numa plataforma mínima que viabilize uma alternativa governativa de esquerda.


 


A uma semana das eleições o PSD, consegue a proeza de não conseguir ganhar claramente nas intenções de votos. Pela repetição cíclica da irredutibilidade de negociar um governo com o PS, se vencer as eleições o PSD só poderá ter o CDS como aliado. Entretanto vai revelando uma agenda conservadora, retrógrada e inconstante, centrada em Zelig, a sua personagem central.


 


A uma semana das eleições, o CDS está a um passo de decidir com quem governa. Caso o PS ganhe, apenas poderá contar com o CDS, a não ser que Passos Coelho se demita. Será pois o CDS a decidir se avança coligado com o PS ou, não querendo, e após o Parlamento inviabilizar um governo minoritário do PS, a impor condições a uma coligação CDS/PSD.


 


A uma semana das eleições, e perante as mudanças que se impõem, desde a educação à justiça, da saúde a trabalho, não é a opção por um estado mínimo e caritativo que poderá manter a coesão social e garantir a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, defendida pelo PSD e pelo CDS, que poderá responder às dificuldades a superar. Os governos do PS, liderados por Sócrates, foram aqueles que mais fizeram para mudar, de facto, alguma coisa, e no sentido que julgo adequado.


 


A uma semana das eleições, apesar de todos os erros do governo, do PS, de Sócrates, da campanha, etc., penso que a melhor opção para Portugal é ter um govern liderado pelo PS. A 5 de Junho vou votar, e vou votar no PS. Também faço votos para que, caso o PS não vença as eleições, José Sócrates se demita e o PS assuma as responsabilidades que melhor servirem o país - na oposição ou num governo de coligação. Porque isso é o que espero de um partido e de um líder que defendem o país.


 

Negociações

 



 


 


Ganhar ou perder faz parte da vida. Não é vergonha perder, é fugir ao combate.


 


Se [o PS] perder, deve ir para a oposição, não pode ser pau de cabeleira de um governo formado pelo PSD e pelo CDS.


 


Não gosto que digam que estão dispostos a dialogar com o PS, mas sem José Sócrates. Se o excluem a ele, excluem-me a mim, excluem cada um de vós!


 


(...) é o momento de nos unirmos pelo essencial, defender a democracia com todos os direitos políticos e sociais - o seu SNS, as suas leis laborais (...)


 


DN, citando Manuel Alegre


Das notas que tomamos (7)


 


Depois de uma crise internacional gravíssima, com o país em recessão e em austeridade absoluta, cumprindo as exigências externas supranacionais, com o desemprego em níveis altíssimos, descontentamento social generalizado, o PS continua com intenções de voto idênticas ao maior partido da oposição. Isto mostra bem o que a população pensa das alternativas a governo existente.


 



  • Como já é habitual, para o PSD, é lícito interromper, boicotar e impedir comícios do PS. É uma noção antidemocrática do que é a liberdade.

  • Paulo Rangel decidiu ressuscitar a asfixia democrática. Ouvi-lo torna-se, de facto, claustrofóbico.

  • Passos Coelho faz prestidigitação com concursos que insinua suspeitos, para se cobrir de ridículo.

  • Num dia de campanha eleitoral o momento alto foi a apanha das cerejas. Este tipo de campanha eleitoral é totalmente ridículo e parte do princípio de que os cidadãos são apoucados. Independentemente dos protagonistas, porque todos os partidos apanham fruta, arrancam legumes ou plantam batatas, conforme os gostos.

  • Os média divulgaram ontem que o memorando assinado a 3 de Maio, pelo governo demissionário e pela Troika, aceite pelo PSD e pelo CDS, é diferente do assinado pelo mesmo governo demissionário, na reunião da EcoFin, a 17 de Maio. Passos Coelho, Paulo Portas e Eduardo Catroga dizem que não sabiam da diferença. Sócrates diz que os partidos políticos sabiam da existência dos dois documentos, um com o FMI outro com os representantes da Comissão Europeia, e que o memorando final de 17 de Maio é o documento resultante da compatibilização dos outros dois. Depois do PSD ter negado o conhecimento do PEC4, quando posteriormente admitiu que foi chamado pelo Primeiro-ministro para debater o assunto, na véspera da sua aprovação em Bruxelas, ninguém sabe em quem acreditar. Se o acordado é realmente diferente do que se previa, não é admissível que o governo demissionário não tenha disso dado conhecimento as partidos que, dentro de duas semanas, poderão ter que colocar em prática essas medidas. É uma questão de respeito democrático.


 

27 maio 2011

A adaptação às circunstâncias

 


Esta campanha tem tido vários momentos de estupefacção para os eleitores. Dá-me a impressão que, secretamente falando, Passos Coelho está a fazer tudo para perder as eleições. Ou será que está convencido que esta guinada à direita, completamente extemporânea e despropositada, verdadeiramente conservadora e retrógrada, lhe vai dar alguns votos?


 


(...) Pela primeira vez na sua história, o partido social-democrata elegeu um líder não católico que defende, por exemplo, a adopção por casais homossexuais - uma ideia que o governo Sócrates vetou por recear uma espécie de alarme social. Pedro Passos Coelho já tinha sido favorável à despenalização do aborto, admitiu a liberalização das drogas e atacou o Presidente da República por causa do veto à lei do divórcio de Sócrates. (...)


 


Ana Sá Lopes, jornal  i, 02/04/2010


 


 


(...) Eu acho que precisamos fazer, tal como, de resto, estava previsto, uma avaliação dessa situação. Eu estive, há muitos anos, do lado daqueles que achavam que era preciso legalizar o aborto – não era liberalizar o aborto, era legalizar a interrupção voluntária da gravidez. Porque há condições excepcionais que devem ser tidas em conta e não devemos empurrar as pessoas que são vítimas dessas circunstâncias para o aborto clandestino. Mas não fui favorável a esta última alteração, na medida em que me pareceu que o Estado tinha obrigações que não cumpriu. (...)


 


Pedro Passos Coelho, citado pelo Público, 26/05/2011


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...