05 junho 2009

Votar

 


Votar em branco, nulo, num qualquer partido político, grande, pequeno, antigo, moderno, com mulheres, com homens, com ambos, defensores dos casamentos gay, defensores das famílias tradicionais, amigos do ambiente, dos charutos, das comezainas, das caminhadas, ascetas, bruxos, comediantes, prostitutas, felizes ou macambúzios, aprendizes de Medina Carreira, Maria Filomena Mónica, José Manuel Fernandes, Manuela Moura Guedes, Marinho Pinto ou Rogério Alves, Ana Gomes ou Manuel Alegre, fãs de Louça, detractores dos Portas, seja em quem for e como for, é preciso votar.


 


Votar é um exercício de liberdade, de cidadania, de poder. Votar é assumir a responsabilidade de decidir, de tomar parte na resolução e de não ser parte do problema.


 


Gostam de maiorias absolutas? Gostam de minorias relativas? De coligações, de centros, de esquerdas ou direitas, uma só ou múltiplas? Da Europa, do tratado, do referendo? Gostam de paz, de divisões que multiplicam, de movimentos monárquicos ou anárquicos? Gostam de discutir e de exigir dos outros a resolução dos nossos problemas?


 


É preciso votar. Não gostar da campanha, não gostar dos candidatos, não gostar de nada não é desculpa. Votem e digam que não gostam: no voto.


 


Não desperdicemos uma ocasião de dizermos de nossa justiça. Uma ocasião que se traduz num grupo de deputados que irá ditar muito do que nos vai acontecer nos próximos anos. Não se demitam dessa função.


 


Vamos votar com sol ou com chuva, de fato de gala ou de fato de banho. Vamos livremente votar.

 

Antes do jogo

 


A campanha eleitoral foi paupérrima, principalmente da parte do PS e do PSD. A estratégia de Paulo Rangel foi a vencedora, tendo o PS deixado arrastar-se para uma campanha que nada teve a ver com os temas europeus, enredando-se em golpes baixos e manobras de diversão. Vital Moreira foi muito pior candidato do que se julgava, Paulo Rangel foi muito melhor candidato do que se julgava.


 


Se o PS ganhar, mesmo que por pouco, coisa que ninguém esperava há 2 meses, será importante para preparar a vitória em Outubro.


 


O PSD já ganhou, mesmo que perca, como tudo indica, as eleições. Paulo Rangel será, muito provavelmente, uma séria ameaça aos eternos candidatos à liderança do PSD. A vitória, seja qual for o resultado, será dele, a não ser que, ao contrário de tudo o que se prevê, o PSD tiver um mau resultado.


 


O PCP e o BE disputam o mesmo espaço. Não sei quem sairá vencedor.


 


Os restantes pequenos partidos são uma incógnita. Talvez haja muitos votos de protesto em partidos que parecem ter poucas hipóteses de conseguirem mais do que escassas percentagens. Pode haver surpresas extremistas desagradáveis.


 


Aconteça o que acontecer, o que é preciso é votar.

 

Legislativas - a primeira volta

 


Acredito que em todas as épocas haja luta e desconfiança entre gerações. Os mais velhos vivem a ilusão de que estão a tentar cumprir as suas utopias, os mais novos vivem na ilusão de que irão construir um mundo melhor. Frequentemente esses dois mundos têm dificuldade em substituir-se naturalmente e surgem conflitos fratricidas dentro de grupos que parecem ter a mesma ideologia.


 


No PS está a fazer-se a substituição de uma geração que recebeu o 25 de Abril, que construiu o regime democrático, que governou com os paradigmas e com os movimentos e as ideias desses anos.


 


Passaram 30 anos e embora haja valores que unem as diferentes gerações, a ideia de democracia pluralista, de estado servidor e garante de direitos fundamentais, a solidariedade, há grandes diferenças nas formas de gerir esse estado, de equilibrar uma sociedade competitiva, de perceber a inexistência de igualdades totalitárias mas garantindo o acesso às mesmas oportunidades, de encarar a sustentabilidade dos sistemas sociais que enformam e são o suporte do bem-estar e da paz social.


 


Há outros meios, outra velocidade, outras tecnologias, outras preocupações, outros problemas. Há o terrorismo, as desigualdades, o crescer dos fanatismos, o espreitar da xenofobia e do racismo como novos-velhos valores sociais, a solidão, o envelhecimento populacional, a violência, o imediatismo, a voracidade.


 


Nos outros partidos, em maior ou menor grau, as lutas são semelhantes. Continuo a pensar que o PS é o que mais garante a manutenção dos valores universais em que acredito, com uma visão mais realista e empreendedora da nossa sociedade.


 


Por isso, cumprindo a primeira volta das legislativas, vou votar no PS.

 

04 junho 2009

Degelo

 



William Hodges


 


Neste profundo degelo

neste emaranhado novelo

da dor fina do cansaço

da insone desilusão,

nesta ganga de pedras

nos membros nos olhos

neste encolher de pétalas

deito-me por dentro do mundo

e cavo cada vez mais fundo

o tempo de me esconder.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...