29 abril 2007

28 abril 2007

A Curva

Alguém tem de aparecer naquela curva
mesmo que se não saiba o que é depois
se estrada larga ou morte ou água turva
se solidão ou um a ser já dois

A vida toda em sonho a esperar sempre
naquela curva não importa quem
alguém que diga o quê e saia ou entre
ainda que depois não mais ninguém.

Alguém há-de aparecer alguém que aponte
quem sabe se um aquém ou se um além
ou nada mais senão o horizonte
daquela curva onde se espera alguém.


[poema de Manuel Alegre (Doze Naus); pintura de Oswaldo Barahona: Vías y Cruces]

Subliminar

Ao ouvir o Expresso da Meia-Noite, onde Ricardo Costa cada vez opina mais e ouve menos, Luís Delgado chamou a atenção para a falta de conhecimento que Almerindo Marques tinha de empresas de comunicação, quando foi para a RTP, em resposta à indignação de Ricardo Costa pela abusiva (segundo ele) comparação entre Pina Moura, que não sabe nada do assunto, e Pinto Balsemão, que sempre foi jornalista. Também houve alguém, já não me lembro quem, que recordou o facto de, noutros países, haver alinhamentos editoriais políticos e ideológicos, o que não retirava credibilidade e rigor à informação. Ao que Ricardo Costa (outra vez ele) contrapôs que o que era importante era o controle económico das empresas de comunicação.

Pois, eu também acho, o controle económico é que é muito importante. Mas a TVI é uma estação privada, controlada por uma empresa privada, e quem não gostar, não vê!

Ou será que o governo, José Sócrates, ou mesmo o PSOE, vão obrigar os portugueses a ver a TVI e a acreditar piamente em tudo o que ela disser?

Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa vai de mal a pior. Todos falam do PSD e de Carmona Rodrigues que, sem dúvida, deveriam perceber que as eleições intercalares são inevitáveis.

Mas o que esperam os partidos da oposição? Porque não assumem eles o papel de precipitar a ida a votos?

O PS não tem candidato (ele é tão secreto que não deve existir!); qual é a desculpa dos outros?

Pois é, as eleições até parece que não caem bem a ninguém. A governação da cidade de Lisboa é mesmo o que menos importa!

Da poesia

Bolor

Temos uma democracia com eleições e votos, com jornais e televisões, com blogues e manifestações. Temos uma democracia em que nos refastelamos nas queixas, no lacrimejo, no lamento de ser deste país. Temos uma democracia que nos deleita e nos consome, que os chega e nos falta, por não sabermos bem o que temos e o que queremos. Temos uma democracia diminuta como pequena e pouco ambiciosa é a alma lusitana. Não para grandes feitos, não para grandes palavras, não para grandes gestos, mas para o que faz do dia a dia uma sociedade militante e vigilante da liberdade, um país onde se goste de viver. Temos uma democracia com chefes que são amigos e compadres, de compadrios e vizinhanças, piscares de olhos e palmadas nas costas. Temos uma democracia que diz que disse mas não diz, que volta a cabeça e murmura sem nunca falar alto, de olhos no chão e sorriso matreiro.

Temos uma democracia suspeita, sufocada, um mal-estar feito de névoa e de fumo, de silêncios cúmplices e de ruído de fundo, sem medo mas com receio e cuidado, pé atrás e insegurança, falta de honra e honestidade.

Falta encher os cantos com claridade, deitar fora restos bafientos e bolorentos, falta vontade de agir, todos, sempre, todos os dias.

25 abril 2007

Liberdade

Hoje
não fui acordada
pelo som
da multidão que gritava
feliz.

Hoje
fiz
da minha alvorada
o que quis.
Embrenhei-me
no meu país.


(pintura de Vieira da Silva)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...