17 março 2024

Au Revoir Les Enfants


A propósito do livro Village of Secrets que aqui referi, vi anteontem um filme - Au Revoir Les Enfants, de Louis Malle, que apenas conhecia de nome. É um filme de 1987 que recebeu, em 1988, 7 prémios César: melhor filme, melhor realização, melhor cenário original ou adaptado, melhor fotografia, melhor decoração, melhor som e melhor montagem.


O filme é baseado numa história verídica vivida pelo próprio Louis Malle. De uma simplicidade espantosa, sóbrio, silencioso, comovente, mostra mais um exemplo de como as comunidades religiosas, desta vez uma cristã, contribuíram para esconder e salvar crianças e adultos judeus, na França ocupada e colaboracionista.


O mais interessante do filme é o facto de não haver bons nem maus. Todos os personagens têm cambiantes e, por isso mesmo, faz-nos pensar na nossa própria ética, nos nossos próprios valores e de como estes podem ser postos à prova e serem, por nós, esquecidos.


Todos somos humanos, mas há heróis de todos os dias, que não precisam de caixas de ressonância nem de espelhos de aumentar. Porque são, eles mesmos, uma versão melhorada das nossas inquietudes e preocupações.


Num dia de trabalho intenso, como todos, em que as actividades domésticas na minha ausência também foram exuberantes, um jantarzinho a dois, numa bela cervejaria, seguida de uma noite de cinema.


A felicidade das pequenas coisas.



À la Clair Fontaine


Schubert

10 março 2024

O Povo é soberano

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A Democracia a funcionar. Gostemos ou não, o Povo pronunciou-se de forma inequívoca.


Esperemos que todos estejam à altura das suas responsabilidades.


A chegada de um partido de extrema direita à esfera do poder não é, infelizmente, uma surpresa. Não há maiorias nem à esquerda nem à direita. É possível um governo?


Que os líderes dos partidos democráticos defendam a Democracia. É o principal.

Hoje o bolo tem de ser de......

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BOLO DE LIMÃO


Como ninguém sabe a volta e a reviravolta destas eleições, o bolo hoje é de limão. Parece-me uma excelente alegoria para gostar e não gostar (do resultado das ditas, não do dito, claro).


Na minha casa não há bolos sem pré-aquecimento do forno. E sempre a 180º, pois não é de mais nem de menos.


Esta receita é uma espécie de adaptação de várias outras que encontrei na internet, fruto de estudo apurado e pensamento estruturado, claro. Como fiquei fã incondicional de bolos feitos no liquidificador, o que é rápido e fácil e não precisa de grandes elaborações culinárias, este também seguirá esse procedimento.


Cortei 2 limões amarelos (sicilianos) em 4, depois de lhes tirar as pontas; limpei-os de caroços e da película branca que os cobre, coloquei-os no copo misturador. Juntei 3 ovos (deveriam ser 4 mas só tinha 3), 300 gr de açúcar (mistura de amarelo com branco, porque o que tinha de amarelo não chegava) e 180 ml de óleo.


Liguei o botão e ficou tudo a liquidificar durante bastante tempo, até estar um líquido espesso e homogéneo. Deitei o líquido para uma taça grande e peneirei – verdade, já cheguei a esse ponto de perfeição – 300 gr de farinha de trigo integral e 1 colher de sobremesa de fermento em pó (peneirar a farinha serve para que não haja grumos no fim). Incorporei a farinha com o fermento no líquido, verti a massa para 2 formas de bolo inglês anti-aderentes (outra inovação que não dispenso) e lá foram para o forno, onde estiveram 30 minutos.


Nada mau. Mas precisa de melhorar – mais 1 ovo, 1 iogurte de baunilha, uma colher de sopa de fermento e todo o açúcar amarelo. Veremos se da próxima vez fica mais saboroso (espero que apenas o bolo.....).

Votar! (2)

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Operários


Tarsila do Amaral


Pela decência, pela tolerância, pela alegria, pela solidariedade, pela igualdade de oportunidades, pela liberdade, pela inclusão, pelo respeito.


Por uma sociedade mais justa, mais livre, mais democrática, mais igualitária.


Votar!

Votar! (1)

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eleições 2024


 


Ainda há tempo.


O voto é a arma democrática mais poderosa.


Onde votar.

02 março 2024

Cliché, mais sedentário que ambulante

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Girl with Grandmother


Oksana Fedorova


 


A realidade torna-nos em gente muito mais comum do que nos pensamos, até mesmo em clichés ambulantes. Também me está a acontecer a mim.


Acordada à hora costumeira, seja semana ou fim dela, o meu primeiro pensamento foi para aquela coisinha minúscula e fofa que me virá visitar mais tarde, aquela pequenina bolinha de ternura que faz agora parte de mim.


Essa ideia veio acompanhada do planeamento do lanche para quem a vier ver, com bolo à mistura, chá, etc. tudo aquilo a que as avós têm direito de fazer para que tias e bisavós tenham o direito de comer.


Há uma semana reiniciei as aventuras culinárias com bolo de laranja, daqueles que usam a laranja toda. O forno portou-se bem e o bolo ficou bastante bom.


Hoje será de banana, porque há umas que estão a amadurecer perigosamente na cesta e precisam de uma atenção redobrada.


No entanto, os pormenores das tabelas de conversão de pesos e medidas, são um quebra-cabeças – chávenas, xícaras, copos e colheres, de todos os tamanhos e feitios, para sólidos e líquidos, são medidas muito pouco científicas. Gosto de gramas, quilos, litros e mililitros. Mas nada me demove, nem a proibição médica de pegar em pesos com o braço a consolidar. Paciência, terei de ser imaginativa.


Entre as dentadas e a degustação que se antecipam, os carinhos e os beijos naquela maravilhosa pequenina, haverá lugar a acaloradas discussões político-filosóficas, a propósito do andamento do país e do mundo, que não conseguimos salvar.


Há lá melhor forma de passar uma tarde de sábado?


BOLO DE BANANA


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Liguei o forno a 180 graus; no copo misturador, coloquei 3 bananas aos bocadinhos, 180 ml de óleo, 80 ml de leite, 3 ovos e 300 gr de açúcar amarelo. Previamente tinha moído 300 gr de flocos de aveia (não tinha farinha) e misturei 1 colher de sobremesa de bicarbonato de sódio (não tinha fermento).


Logo que a mistura ficou bem homogénea, fui juntando a farinha de aveia com uma colher de pau. Depois de tudo bem ligado, enchi 2 formas anti-aderentes de bolo inglês e coloquei no forno, por 30 minutos (como o forno é eléctrico, deixei-o lá dentro até esfriar, para acabar de cozer).

01 março 2024

O regresso de Pedro Passos Coelho

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Jornal de Negócios


Não, não tinha qualquer saudade de ouvir a voz de Pedro Passos Coelho, aquela tão melódica voz de barítono que cantava lalala lalala.


Não tinha nenhuma saudade de ouvir aquelas construções gramaticais e de tom professoral que, do alto do seu clamoroso falhanço de políticas económicas e sociais, de cujas promessas todos nos recordamos, de cujo incumprimento das mesmas também todos nos recordamos e dos anos de chumbo de que ninguém se esquece.


Para além da incapacidade que revelou de cumprir o que prometeu, Pedro Passos Coelho resolveu cavalgar a onda da extrema-direita, talvez pensando que pode chamar o voto do CHEGA para a AD.


Mas quem agita o fantasma do aumento da insegurança associado à emigração, quem avisa o líder do partido que tem que ganhar o poder e tem que fazer as alianças que forem necessárias para o atingir, não merece sequer o líder do seu partido, aquele que agora pressiona para desdizer aquilo que já disse, por inúmeras vezes.


A indecência tem muitas formas, mas é só isso – indecência.


Convém ouvir o chorrilho de lalala lalalas que proferiu.


Não nos esqueçamos do que foi Pedro Passos Coelho, Vítor Gaspar, etc.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...