
No primeiro dia de praia, depois de muitos anos sem a frequentar, tudo parece novo e diferente, mesmo sendo velho e habitual.
O fato de banho que quase não serve, que quase se desmonta por estar gasto e esquecido, as chinelas, o saco, o guarda-sol leve, leve, que levitará rapidamente se houver uma brisa mais veemente, e aquele balandrau que não tem forma mas que serve a toda a gente (leia-se toda a gente que é obesa).
Tudo preparativos para a primeira sensação que se recorda com carinho e antecipação - os pés na areia, macia, morna.
Depois as pequenas irritações que vão regressando, como a tendência de acumulação de gente num espaço exíguo, com a armação de guarda-sóis a milímetros dos que já lá estavam, para se poderem ouvir as conversas, observar as iguarias, quase colocar creme nos vizinhos.
E o mar, o mar de maré vaza, as conchinhas a debicarem os pés, o frio a arrepiar as pernas, os ombros bem encolhidos e a respiração suspensa até ao primeiro mergulho.
Para culminar no regresso, em que tentamos saltitar de pé em pé, como os lagartos do deserto, pelo tanto que escalda a areia.
Férias.





