21 julho 2021

Antes de Antequera*

Granada, a cidade das romãs.


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Por todo o lado há ruas estreitas que sobem e descem, íngremes e deslizantes, escadas e escadarias, pátios entre as casas onde abundam as laranjeiras e os limoeiros, algumas fontes para refrescarem o ar pesado e quente, o sol inclemente e brilhante, que cega e afoga os pulmões.


Impossível não ir a Alhambra (ou Alambra, a vermelha), todos nos tinham dito. Não podes deixar de ir a Alhambra, aconselharam-nos.


É um conjunto de palácios e jardins que foram a morada da dinastia Nazarí. Estende-se por uma das colinas de Granada até lá bem no alto, local privilegiado para um olhar sobre a cidade.


Os jardins são lindos, lindos, rodeados por cedros com um desenho quase labiríntico, cheios de recantos e de miradouros, demoram algum tempo a percorrer. As escadas de pedra com degraus altíssimos combinaram-se para nos fazer um vigoroso treino, nunca perdendo de vista o exercício de respirar perante o calor que aumentava à medida que as horas passavam. Mas isso foi antes de Antequera.


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Muito espantada fiquei com os procedimentos de segurança. A toda a hora - na aquisição dos bilhetes, à entrada dos jardins, à entrada dos palácios, enfim, em todo o lado - pediam os nossos DNI e os bilhetes, lendo obsessivamente os códigos. Os nossos CC não estiveram nunca pelos ajustes, mas deixam-nos passar na mesma.


O palácio de Carlos V é interessante. Mas os Palácios Nazárides são extraordinários. A arquitectura, os detalhes, os arabescos, os pátios, tudo lindíssimo e muito bem conservado.


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Na noite anterior tínhamos ido jantar a uma esplanada junto ao hotel, mesmo no centro de Granada. Com duas cañas vieram duas pequenas tostas com umas tiras de bifanas, absolutamente maravilhosas. Pedimos depois uma parrillada de verduras. Fomos advertidos pelo camarero de que era grande. Resolvemos mudar de ideias e pedimos uma mais pequena (disse ele) ensaladilla da casa. Chegou uma monumental ensaladilla, onde não faltava nada, nem o omnipresente atum!


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Simpatiquíssimos, os camareros. Granada!



*Título roubado a Out of Africa (before Tzabo)

18 julho 2021

Estrada fora

Estrada fora, estrada fora, corremos em direcção a Granada. Que liberdade a viagem, em direcção a nada ou a tudo, correr pelo mundo, ver o céu de outro lugar, as paisagens desenhadas por outras terras, por outras línguas, por outros sentires.


Calor, calor, calor sufocante, tórrido.


Paramos ao lado da autoestrada, em La Puebla de Cazalla, num café restaurante meio perdido no meio do nada – Venta Restaurante La Viña. Cá fora chão de terra batida e umas tristes mesas lisas com cadeiras, vazias. Duas da tarde.


Por dentro e surpreendentemente, fresco e limpo, ar acolhedor. Decoração de aficcionados a sério, com cartazes e fotos de toureiros e touros. Andalucía!



 


Suspirando de alívio pedimos aquilo que pensávamos ser doses pequenas, pois era assim que estavam designadas na carta.


Una ensaladilla de cangrejo, gambas al ajillo e una ensalada mista.


A ensaladilla de cangrejo eram três bolas de salada russa com pasta de caranguejo, bastante saborosas, por sinal. As gambas al ajillo vieram numa frigideira de barro, que fazia três ou quatro das nossas. A ensalada mista era um enorme prato de salada mista, com uma mistura de vegetais bastante variada, incluindo ovos cozidos, atum em lata e espargos.



Comida para um batalhão, que debicámos, com unas cañas.


Foi um belo descanso, para ganhar coragem para mais um pouco de estrada.......


......... até Granada.

19 junho 2021

Portugal - Alemanha

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Ao meu lado ouço um relato muito mais colorido do que o da televisão.


Estamos todos a torcer pela vitória, nem que seja por 1 - 0, basta 1. Mas tem que entrar, não pode ser só 0 - 0! Perder é que não.


Vá lá, pessoal, que é mais fácil estar deste lado do que do vosso. Vamos ao ataaaaaaaque!!!!!alemanha portugal.jpg

13 junho 2021

Manjericos

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Se eu cheirasse a manjerico


Como bem cheira Lisboa


Dispensava o abanico


Que o calor desabotoa


 


Vou passando para a frente


E depois já volto atrás


Tenho uma pressa dormente


Alergia que o Sol trás


 


Nesta dança de rodar


Entra mão e entra pé


Não reparto com meu par


O meu bule de café


 


Vou marchar de manjerico


De mão dada com meu par


Pois que este namorico


Mal chegou que vai ficar


 

Mais ou menos

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Champ de coquelicots près de Vétheuil


Claude Monet


 


As imagens vão passando como um ruído de fundo. De vez em quando levanto os olhos e vejo um rosto, um olhar, um movimento de árvores, um barco que afunda, abelhas, alguém a vociferar. Baixo-os de novo para um qualquer canto do meu cérebro que cada vez se isola mais, se abstrai do mundo à volta e mergulha numa autossugestão, numa autodigestão, num lodo mais ou menos mole mais ou menos pardo, tudo mais ou menos.


Assim se está mais ou menos.


Ouço, vou ouvindo a cacofonia de opiniões estridentes. É tudo muito estridente, muito assertivo, muito repentino, muito oco. Tudo muito igual a sempre embora pareça muito diferente.


O que é mesmo diferente é o meu corpo, a forma como aprecio o silêncio e o aconchego de quem se ama.


Exatamente envelhecida. Apenas me renovo nas ideias que me contam, nas surpresas dos mundos por onde viajo, no surpreendente do que nos outros cuida e acarinha, no que os outros dão e se dão a tanta gente anónima, só porque sim, só porque é isso que sabem fazer, sem alarde nem publicidade, mas certo e certeiros, dia a dia, mês a mês, vida a vida.


As vidas que nos passam e nos tocam, outras que arranham, outras que passam ao largo.


As aventuras são contínuas mesmo na mediania do quotidiano. De vez em quando um sobressalto cósmico que muda tudo, mesmo sem mudar muito.


E assim se está mais do que menos, quando não menos que mais. Mas está-se.

16 maio 2021

Por todos os dias da nossa vida

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Oldes


Zakir Ahmedov


 


Há 34 anos não sabia o significado de todos os dias da nossa vida. Uma vida a começar com tantos dias à nossa frente, o tempo na sua imensidão relativa.


Todos os dias da nossa vida, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano. Manhãs, roupas, desarrumações, dinheiro, camas, beijos, sustos, raivas, desejos, sonos, filmes, viagens, risos, desesperos, cansaços, nódoas, suspiros, silêncios, amuos, pesos, corpos, banhos, lágrimas, portas, fechos, escadas, compras, conversas.


Todos os dias da nossa vida são este, e talvez amanhã, e se calhar depois.


São já tantos e quantos ainda serão.


Contigo.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...