Estrela da Tarde
Lisboa Menina e Moça
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

Picnic
Nem tudo foi mau.
Internacionalmente os sinais foram muito positivos – congregação de esforços na investigação científica, investimento maciço no desenvolvimento da vacina contra o SARS-CoV-2, equipamentos e recursos humanos nas áreas da saúde e da segurança social, uma União Europeia que aprendeu alguma coisa com os erros da crise anterior, a derrota de Trump.
Mas muita coisa foi péssima.
O vírus, a pandemia, a inacreditável invasão de falsidades, o enorme aumento da pseudociência, do autoritarismo, do medo irracional, da pobreza, das desigualdades, da caça às bruxas, dos sentimentos pidescos, da solidão, da tristeza e do desamparo.
Esperam-nos muitas dificuldades e, como sempre, a uns mais que a outros, nomeadamente aos mais frágeis e desfavorecidos, mas estou confiante que o próximo ano será melhor.
Temos que nos empenhar nas nossas vidas, individual e colectiva. Temos que nos amar, sem conta, peso ou medida. Isso é o que verdadeiramente importa. Em todas as esferas da nossa vida pessoal, no trabalho, nas responsabilidades que assumimos, nas escolhas que fazemos.
E isso significa saber o quanto para o outro significam todas as carências e abundâncias, todas as vitórias e derrotas, todos os lutos e renascimentos.
Que sejamos felizes, o mais que pudermos, fazendo felizes os outros.
Até ao próximo ano.

Amo as rosas que nunca tive
os vasos quebrados as esquinas das portas
os tapetes que desbotam no sobrado.
Amo as vidraças enevoadas
as pequenas gotas de tristeza
que se acumulam nos dedos frios
as cortinas dependuradas a usura das folhas
os olhos cansados de tanto desejarem.
Amo as rosas que nunca tive
todos aqueles abraços que não guardei
e que esperam no fundo dos casacos
a oportunidade de secarem.
Talvez assim me seja revelada a vida
que queria e me neguei
por tantos objectos adorados
que se quebraram mal lhes toquei
frágeis cansados desistentes
numa poeira fina que anuncia
uma efémera e ilusória eternidade.
Tenho tentado ver as entrevistas conduzidas por José Adelino Faria aos candidatos presidenciais. É impossível. A arrogância, truculência, pesporrência, agressividade e sede de protagonismo do entrevistador apaga todos os esforços.
Ao contrário do que estes entrevistadores pensam - Miguel de Sousa Tavares, Ricardo Costa, Bernardo Ferrão - não são eles que nós queremos ouvir. Não me interessam minimamente as opiniões dos entrevistadores. Se eles quiserem fazer ouvir a sua voz política podem sempre candidatar-se.
É uma visão da democracia muito deles. E com a decisão de deixar de fora Vitorino Silva (Tino de Rans), por critérios que eles próprios decidem, à revelia da mais elementar noção da igualdade de oportunidades para todos os candidatos, é mais uma demonstração da cultura da omnipresença de decisores nunca mandatados por ninguém para decidirem.
A liberdade dos media é crucial num regime democrático. O papel dos media na manipulação da informação também é crucial. E estes sinais não são nada tranquilizadores. Não são novos, mas são mais fortes.
Insisto. Não tenho interesse nenhum nas opiniões dos entrevistadores mas tenho muito nas dos entrevistados. Gostaria imenso de poder ouvi-los sem interrupções constantes nem apreciações valorativas. Os eleitores é que julgam, nas urnas.
Nota: vale a pena ler este post.

Hoje é um dia importante pelo significado que tem o início da vacinação contra o vírus da COVID-19. Pelo que significa do esforço concertado de toda a comunidade científica e dos decisores políticos, investindo a sério no estudo, desenvolvimento e distribuição da vacina.
Não é o fim, mas o princípio do fim. Risco zero não há em coisa nenhuma. As cautelas existem e ainda bem. Só assim aprendemos e avançamos.
O ano novo parece um pouco mais risonho. Tanta coisa ainda falta, mas isto é importante.

Maria Helena Vieira da Silva
Entrei em obras imediatamente antes do confinamento de Março, tendo de as interromper após 2 semanas. Mas no prédio ao lado alguém continuou teimosamente a martelar, a brocar, a berbekinar, pelo confinamento fora, esquecendo teletrabalhos e outros trabalhos em volta, endoidecendo a vizinhança.
De tal forma que vários desgraçados foram protestar junto dos trabalhadores, pois estar em casa obrigados a trabalhar, sem descanso de poluição sonora, era de enlouquecer.
Penosamente lá conseguimos superar a tortura. E pouco a pouco fomos sendo surpreendidos por música filtrada pelas paredes, mais precisamente piano. Quando menos esperamos, somos presenteados com concertos de piano, provavelmente treinos para os verdadeiros concertos.
Não conheço o/a virtuoso/a mas a verdade é que hoje, neste frio e luminoso dia de Natal, nada me sabe melhor do que, aconchegada numa manta, ouvir o piano do vizinho do lado. Que bela prenda de Natal.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...