19 maio 2020

Voltar ao (velho) normal

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Realmente as candidaturas presidenciais para o próximo Janeiro não devem fazer parte das maiores preocupações dos portugueses.


Mas são importantes. Marcelo Rebelo de Sousa está em plena campanha eleitoral (se é que alguma vez deixou de estar). Note-se que tenho apreciado muitíssimo o seu desempenho que foi, para mim, uma enorme surpresa e agradável. Mas a verdade é que tem defeitos, como todos nós, felizmente.


Além disso Marcelo vem acumulando erros que considero graves, talvez na ânsia de se fazer notado, tentando rivalizar com a popularidade de António Costa. O episódio da transferência da verba inscrita no OE 2010 para o Novo Banco é disso um excelente exemplo.


Acho que ainda ninguém percebeu nada do que se passou, ou então percebemos todos bem de mais. António Costa não queria arriscar-se a ser acusado de dar tanto dinheiro à banca numa altura em que as camadas socialmente mais frágeis da população estão a ver os seus rendimentos, empregos, perspectivas de futuro, etc., esfumarem-se a uma velocidade estonteante. E por isso aquela promessa de não haver dinheiro para o Novo Banco antes de uma auditoria. Provavelmente esqueceu-se de acertar essa estratégia com o Ministro das Finanças. Depois Marcelo cavalgou a onda populista e resolveu interferir no governo, desautorizando Mário Centeno.


Enfim, esta explicação é tão boa como qualquer outra. Mas há alguns factos que são indesmentíveis, mesmo na época dos alternativos: a transferência da verba era conhecida por todos visto que estava no OE; não havia qualquer auditoria que pudesse parar essa transferência; Marcelo Rebelo de Sousa não tem nada que comentar as performances de qualquer ministro.


Portanto já estão todos fartos fartíssimos da COVID-19 e é preciso desatar a falar de outras coisas.



Como o Verão não vai veranear muito, temos nós que começar a inventar assunto. À falta do futebol, claro!

16 maio 2020

Juntos seremos

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Foi quase ontem e quase nos lembramos


o quase temor com que quase trememos


o quase a medo que quase nos demos.


Foi quase agora que nem reparamos


que quase sabemos


que juntos seremos


quase


serenos.


 

13 maio 2020

Rascunhos

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Mulher chorando


Cândido Portinari


 


Acerto os olhos na parede


Numa simetria discreta


Esquadria de luz em rede


Tristeza alinhada e secreta


 


Guardo nos braços a saudade


Beijos de sol e maresia


Espreito o povo e a cidade


A dor do medo que esvazia


 


No pouco que resta de nós


Colados ao muro da casa


Ensaiamos dedos e voz


Rascunho vibrante de asa


 

04 maio 2020

Negra papoila

BlackPoppies_Composite-scaled.jpgBlack Poppy


Cai Guo-Qiang


 


Adeus oh minha mãe que já me vou
Com perfumes de cravo e hortelã
Entre a luz que do céu se evaporou
O líquido gotejo da manhã


 


Adeus oh minha mãe que já me falta
O mel que nos adoça a tempestade
No ardor da inquietude que me assalta
A força que se faz serenidade


 


Adeus oh minha mãe que hei-de voltar
Com a chuva que inunda a Primavera
No tempo que queremos sossegar
Do Maio que passou e já não espera


 


Adeus oh minha mãe que já não sei
Se a vida que iremos retomar
É o lume do passado que queimei
Na água de um futuro a remendar


 

28 abril 2020

Quarentena

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Pelas curvas deste quarto


Esquadro e régua a somar


Restam rugas que reparto


Pelos gestos de esperar


 


Rondo à volta desta roda


Numa triste geometria


Faço a média desta moda


Contas que desconhecia


 


Alterno sol com janela


Divido voz e olhar


Meço a dedos a cautela


Reaprendo a respirar


 

25 abril 2020

25 Abril 2020


Zeca Afonso & Manuel de Oliveira


 


Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já


Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá


Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar


De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar


 


Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...


 


A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei


Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei


A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem


Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar


 


Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei


Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei


A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem


Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe


 


Não me obriguem a vir para a rua gritar


Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar


 

25 Abril 2020

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André Carrilho

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...