
Foi quase ontem e quase nos lembramos
o quase temor com que quase trememos
o quase a medo que quase nos demos.
Foi quase agora que nem reparamos
que quase sabemos
que juntos seremos
quase
serenos.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

Foi quase ontem e quase nos lembramos
o quase temor com que quase trememos
o quase a medo que quase nos demos.
Foi quase agora que nem reparamos
que quase sabemos
que juntos seremos
quase
serenos.

Mulher chorando
Acerto os olhos na parede
Numa simetria discreta
Esquadria de luz em rede
Tristeza alinhada e secreta
Guardo nos braços a saudade
Beijos de sol e maresia
Espreito o povo e a cidade
A dor do medo que esvazia
No pouco que resta de nós
Colados ao muro da casa
Ensaiamos dedos e voz
Rascunho vibrante de asa
Black Poppy
Adeus oh minha mãe que já me vou
Com perfumes de cravo e hortelã
Entre a luz que do céu se evaporou
O líquido gotejo da manhã
Adeus oh minha mãe que já me falta
O mel que nos adoça a tempestade
No ardor da inquietude que me assalta
A força que se faz serenidade
Adeus oh minha mãe que hei-de voltar
Com a chuva que inunda a Primavera
No tempo que queremos sossegar
Do Maio que passou e já não espera
Adeus oh minha mãe que já não sei
Se a vida que iremos retomar
É o lume do passado que queimei
Na água de um futuro a remendar

Pelas curvas deste quarto
Esquadro e régua a somar
Restam rugas que reparto
Pelos gestos de esperar
Rondo à volta desta roda
Numa triste geometria
Faço a média desta moda
Contas que desconhecia
Alterno sol com janela
Divido voz e olhar
Meço a dedos a cautela
Reaprendo a respirar
Zeca Afonso & Manuel de Oliveira
Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já
Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar
Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...
A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei
A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar
Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei
Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei
A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe
Não me obriguem a vir para a rua gritar
Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...