07 março 2020

A mediatização da arrogância

Uma das coisas que me deixam mais perplexa é a total ausência de autocrítica. Se isto é grave para qualquer um de nós, é ainda mais grave em responsáveis por entidades tão importantes como a SPMS.


A extraordinária atenção mediática que se deu a Henrique Martins aquando do seu afastamento, o que levou o Expresso a patrocinar até o seu poema de despedida, dá muito que pensar.


Vale a pena atentar nas múltiplas explicações, entrevistas e justificações que Henrique Martins se apressou a dar, com inúmeros microfones ávidos por amplificar. Por um lado estava preocupadíssimo com a desorçamentação da SPMS desde 2018, que também afecta a linha de saúde SNS24, tendo tido diferendos vários com o Ministério da Saúde. Por outro lado tinha demonstrado a sua disponibilidade em se manter à frente da SPMS para mais um mandato de 3 anos. Em que ficamos?


Vale a pena ler atentamente o dito poema de despedida. Ficamos a saber que Henrique Martins é "uma vela de pavio forte, que querem apagar".



“Somos todos” velas
Consumo-me.
Consumo-me no que acredito
Consomes-te, dizem-me aflito
O amigo, a família e o corpo
Morto, que não te veja morto!
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Consumo-me no que acredito
Somos como velas
E é vê-las
Que quanto mais brilham e ardem
Quando mais fazer e mostram
Mas incomodam e acedem
Mais iluminam e revelam
Mais põem a nu
O que outros não fazem, não querem
Não gostam, escondem, mentem e enganam
Como velas de pavio forte
Queimamos ao luar
Das madrugadas passadas
A Trabalhar
A escrever, a digitar
A Criar o digital na saúde em Portugal
9 anos acessos, pela força e paixão
Como velas que ardem dentro do coração.
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Sinto hoje a dor do desprezo e da ignorância
A falta de coragem, que nem falta a uma criança
Que sobe ao quarto na noite escura que a vela acesa
Tem por segura
Guerra que levará por diante, iluminando a mente
Até do mais distante…
No mundo vêm se as velas acesas, como a minha
Só na minha terra, a querem apagar
Só na minha terra a querem apagar
Apagar uma vela? Será possível
apagar das cabeças de quem viu a luz?
“É favor apagar a luz!” deve ter sido assim a ordem
Apagar a luz…
A estratégia, a visão?
De médicos a fazerem receitas só com uma mão
No telemóvel.
Doentes a falar com eles no Portal
E todas as receitas sem papel
E plataformas sem fim, e tantas coisas tantas
Que outros vêem como a luz:
Como estrelas que se seguem,
Vieram do Japão, do Brasil,
da Austrália e sítios mil.
Até de outros Ministérios,
Esses que guardam outros tantos mistérios.
Ontem, quis o vento
de repente que a vela se apague
lento e sorrateiro, sem dignidade nem poleiro,
Quis um vento que esta vela
não se consumisse mais
Ironia: Que se poupe…
Assim sobra para outras noites
Outros negros cantos iluminar
- Assim poupas-te! Diz-me o amigo.
Assim fico com pavio para voltar a acender
Talvez noutra terra, noutra instituição
Sempre com mesma força e paixão.
Quis uma decisão críptica, informada na noite escura,
Que esta alma se calasse e não dissesse ao mundo
O que se passa de mal no Estado em Portugal
Somos como velas.
Consumimo-nos no que acreditados.
E eu acredito que é possível mudar PORTUGAL



Alcainça, 5 Março 2020
Henrique Martins



Se tivesse dúvidas quanto aos motivos da não recondução de Henrique Martins, ele próprio conseguiu justificar a justeza da decisão.

03 março 2020

Estarei doente? SNS 24 - 808 24 24 24

sns 24.jpg


SNS - COVID-19

Colocar e retirar as máscaras


Lavar as mãos antes de colocar as máscaras;


colocá-las apenas e quando necessário e indicado;


retirá-las e deitá-las fora;


lavar as mãos a seguir.

Máscaras para os doentes e seus cuidadores


Só devem usar máscaras os doentes - para prevenir o contágio de quem está ao pé - e os seus cuidadores, para evitar que fiquem doentes.

Como lavar as mãos


Simples mas essencial, é a melhor prevenção para muitos tipos de doenças, nomeadamente o COVID-19.


Nossa responsabilidade.

01 março 2020

A pandemia em 2 gráficos

Utilizando apenas os dados publicados nos Situation Reports da OMS, deixo 2 gráficos (de 19/Fevereiro a 01/Março) representativos do número de novos casos confirmados de infecção por COVID-19 (Gráfico 1) e da mortalidade associada à infecção (Gráfico 2). Os gráficos mostram os dados da China, dos Outros países e do Total.


É de realçar que estes números dizem respeito apenas aos casos confirmados laboratorialmente. Há sempre casos que escapam, ou porque não deram qualquer sintomatologia, ou porque a sintomatologia não levou os doentes a recorrerem a qualquer instituição de saúde.


 


Gráfico 1


grafico 1 covid19 01032020.jpg


O número de novos casos desceu na China (estava a descer desde 05 de Fevereiro) mas está novamente a aumentar. Vamos ver se a tendência se mantém. Nos restantes países os novos casos estão a aumentar, o que se entende pois a infecção começou a espalhar-se mais tarde.


 


Gráfico 2


grafico 2 covid19 01032020.jpg


Na China e em média, a mortalidade cifra-se nos 3,21%, mas parece ter tendência a aumentar (hoje está em 3,59%). Nos restantes países ela é, em média, de 1,06%, mas também com tendência a crescer (hoje está em 1,45%). No global, a mortalidade média é de 3,14% (hoje é de 3,42%).


Mais uma vez, estes números referem-se apenas aos casos confirmados laboratorialmente.

O segredo é a prevenção

doce tomate.jpg


E o mais importante de tudo é a prevenção da infecção pelo COVID-19. Aderindo aos mais saudáveis hábitos nutricionais, fiz um Doce de Tomate que ficou uma especialidade, e que será um escudo contra qualquer tipo de vírus, maleita ou mau olhado.


O tomate que usei foi daquele redondinho e pequeno, que vem em ramadas, e que se chama…. tomate rama! Usei 1500 g já depois de tirar a pele.


Foi tudo o que desperdicei. Com uma faca bem afiada, pois não tenho paciência para os pelar. Também não retirei as sementes nem os espremi, como li em muitas receitas descritas na net.


Portanto descasquei os ditos, cortei-os em pedacinhos pequenos e juntei 1000 g de açúcar amarelo, 4 paus de canela, 4 cravinhos, casca e sumo de 1 limão.


Ficou no fogão a borbulhar durante um bom bocado. Quando começou a ficar menos líquido, retirei a canela e os cravinhos e, com a varinha mágica, reduzi tudo a um puré. Bem, não ficou totalmente moído, mas eu até prefiro assim. Voltou ao lume até fazer ponto de estrada e ficou pronto.


Não há vírus que lhe resista! Com torradinhas e queijo fresco, é a imunidade total!

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...