07 abril 2019

Das laranjas azuis

Anatomical Studies of the Shoulder Leonardo da Vin


Leonardo da Vinci


 


Estive durante 3 dias num evento científico que, apesar do que escrevi anteriormente, foi muito bom, muito útil e muito agradável, embora intensivo, como todos os encontros, workshops, simpósios, conferências e cursos de anatomia patológica. Expuseram-se dúvidas, descobertas, truques para evitar erros e trocaram-se experiências, partilharam-se desconhecimentos e novas linhas de investigação.


 


Além disso, fizeram-me pensar nos paradoxos dos métodos e procedimentos que desenhamos para nunca falharmos nada, para que consigamos comunicar claramente na mesma linguagem, entre médicos de especialidades diferentes, para que a informação seja entendida e partilhada de forma completa e rigorosa. Mas tudo tem uma outra face.


 


Com esta tentativa de uniformização, detalhe e rigor, formatando os relatórios diagnósticos com as guidelines desenvolvidas para o efeito por agrupamentos de cientistas e superespecialistas nas várias áreas do conhecimento médico, mais especificamente anatomopatológico, deixamos de usar o sentido crítico, deixamos de pensar.


 


Os argumentos de autoridade nas várias matérias, construídos ao longo de séculos de uso do método científico, que levam à aceitação daquilo que é a verdade demostrada pelos peritos, como em todos os aspectos da vida, deve ser escrutinado por cada um de nós, sem medo de questionar e criticar, pois só assim as dúvidas suscitadas podem levantar outras e abrir espaço para investigação e saber.


 


A ciência alimenta-se de ciência e o que é hoje o estado da arte amanhã pode ser o contrário. Tudo isto é mais do que sabido. Mas isso é exactamente o resultado do método científico: observar, questionar, controlar, comparar, concluir.


 


Ainda bem que há gente que não se limita a seguir o que os outros dizem. É mais fácil e é mais seguro, mas conduz a grandes desgraças e distorções, não só na ciência. E quanto às chamadas terapêuticas alternativas, estas "são, por definição, coisas que não têm provas científicas sólidas. Qualquer coisa que tenha provas científicas sólidas deixa de ser uma terapia alternativa e passa a chamar-se medicina." E é indispensável discutir publicamente o charlatanismo, a indústria e os interesses económicos por detrás destas alternativas que, na verdade, não o são. A esperança média de vida e a qualidade de vida de hoje devem-se precisamente ao uso da ciência e do método científico. E os problemas que temos, nomeadamente ambientais, serão resolvidos com a ciência e não com crenças.


 


Mas para isso, vamos assumir a responsabilidade de exercitarmos a dúvida, a crítica, a verificação do que lemos, do que vemos, do que é fácil. Em tudo.

06 abril 2019

Dia de formação

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Jardim do Príncipe Real


 



  1.  


Pudera nascer de manhã


como as aves que atravessam a paisagem


e seguir viagem


sem barco sem rumo


apenas com a vida na bagagem.


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Disclosure


 



  1.  


Interesse sem conflito


tenho dito


e repito


que no desinteresse do delito


só interessa o retido


se sentido.


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Concert of birds


 


3.


Boca a altifalar


braços a esbracejar


monocordismo em torrente


bocejo inerente.

24 março 2019

Desosso

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Curtis Frederick


 


Nos dias em que passo


devagar dormente


como posso


distraída eloquente


em compasso


com gente decente.


Ultrapasso


o canto prudente


e desosso


a mente.

A descoberta de Ricardo III

Um documentário muito interessante sobre a descoberta do esqueleto de Ricardo III de Inglaterra.


 


Sonata em Dó menor (cravo) K.84


Domenico Scarlatti K.84


Jean Rondeau

Democracia representativa

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The Guardian


 


Por muito que gostasse que o BREXIT voltasse atrás e se transformasse em BREMAIN, não concordo com quem defende um novo referendo.


 


Democraticamente o Reino Unido decidiu-se pelo BREXIT. A incompetência e incapacidade de quem entretanto, tem estado à frente da negociação com a UE, a ambição de Theresa May que aceitou negociar aquilo em que não acredita, a cobardia e oportunismo de quem lutou pelo BREXIT e não assumiu as suas responsabilidades, não podem ser os argumentos para se repetir um referendo. Mas podem ser justificação para novas eleições em que os partidos clarifiquem o que farão quanto ao BREXIT, caso as vençam.


 


Se repetirmos referendos sempre que há manifestações e/ou incompetência de governantes, teremos que fazer já eleições em França a propósito dos vandalismos pseudomanifestantes dos coletes amarelos, e termos que referendar a interrupção voluntária da gravidez em Espanha, obedecendo à manifestação que ocorreu.


 


A democracia tem os seus ritos e as suas regras. O recurso ao referendo não pode ser usado para reverter a própria democracia representativa.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...