24 março 2019

Democracia representativa

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The Guardian


 


Por muito que gostasse que o BREXIT voltasse atrás e se transformasse em BREMAIN, não concordo com quem defende um novo referendo.


 


Democraticamente o Reino Unido decidiu-se pelo BREXIT. A incompetência e incapacidade de quem entretanto, tem estado à frente da negociação com a UE, a ambição de Theresa May que aceitou negociar aquilo em que não acredita, a cobardia e oportunismo de quem lutou pelo BREXIT e não assumiu as suas responsabilidades, não podem ser os argumentos para se repetir um referendo. Mas podem ser justificação para novas eleições em que os partidos clarifiquem o que farão quanto ao BREXIT, caso as vençam.


 


Se repetirmos referendos sempre que há manifestações e/ou incompetência de governantes, teremos que fazer já eleições em França a propósito dos vandalismos pseudomanifestantes dos coletes amarelos, e termos que referendar a interrupção voluntária da gravidez em Espanha, obedecendo à manifestação que ocorreu.


 


A democracia tem os seus ritos e as suas regras. O recurso ao referendo não pode ser usado para reverter a própria democracia representativa.

6 comentários:

  1. Manuel da Rocha14:59

    O principal problema é que 100% dos eleitores, que votaram Leave, sabem que foram enganados. Deixaram-se levar pelas promessas de quem queria a Inglaterra como offshore financeira e onde as empresas pagavam 0,00000000000005% dos impostos que pagariam em condições normais. Com as regras europeias, transpostas para a lei inglesa (e o fim das offshores a 1 de Janeiro de 2016, onde estavam, a módica quantia de, 183700000 milhões de libras), gerou revolta de um grupo de liberais que as usavam para tudo. A ideia deles era o Stay ganhar por 51-49. Nem os próprios imaginaram que os britânicos era tão burros que acreditassem que a Inglaterra ainda é um império do século XVIII. Foi por isso que saltaram fora, não quiseram liderar a saída (como Nigel Farage que tanto mentiu e falsificou dados, na primeira oportunidade pirou-se e continua como deputado no Parlamento Europeu, não querendo assumir um gabinete ministerial para cumprir o que prometeu), deixando um mundo de condições que prejudicam a Inglaterra, seja em que situação for. Caso a saída aconteça sem acordo, 85% das universidades britânicas fecham portas no dia seguinte, por falta de fundos financeiros... e o governo tem menos de 1% de autoridades aduaneiras, para gerir importações e exportações. Durante 3 a 8 anos, a Inglaterra vai afundar-se de tal forma que os próprios líderes estão em pânico... só que, a nível da finança, a ideia é que 100000 ou mais mortes, obriguem ao regresso ao grupo europeu, nem que seja em pactos ao estilo dos países escandinavos, com a defesa da Libra já estar abaixo de 20 cêntimos do euro.

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  2. Makiavel15:28

    Subscrevo na íntegra o seu postal.
    O problema reside mesmo no facto de o Brexit estar a ser negociado por alguém que não terá votado nele e que sabe bem as suas consequências.
    Que saiam, hard ou soft, e que aprendam na pele as consequências de uma campanha cheia de mentiras a favor da saída. Talvez sirva de vacina contra o populismo de farage, johnson & Co.
    Depois, se quiseram voltar, organizem outro referendo.

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  3. Ha um detalhe no meio desta tragédia que eu continuo a não entender.
    A decisão de deixar a UE foi "democraticamente" decidida no primeiro referendo, defendem o Brexiters, apesar haver evidências de que este processo foi manipulado.
    Se assim é, até que ponto podemos considerar "democrática" uma decisão tomada na base de mentiras e omissões? E, porque não agora (que o ingleses estarão supostamente melhor informados) considerar outras opções ?

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  4. O problema é que ninguém pode assegurar se há ou não arrependimento da parte daqueles que votaram BREXIT. E mesmo que haja, isso não é argumento para repetir o referendo - há imensa gente que se arrepende de votar em quem votou no dia seguinte às eleições. Nigel Farage mentiu mas também se podem apontar mentiras a vários decisores políticos sem que se repitam de imediato as votações. Há um beco sem saída e, por isso, as instituições democráticas terão que funcionar - eleições para o parlamento e que clareza nas soluções preconizadas durante a campanha, para que os cidadãos possam votar.

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  5. As evidências não desencadearam, de qualquer das partes, a impugnação dos resultados de forma a iniciar algum processo em que se provasse que o referendo não tinha sido votado em liberdade.

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  6. Há aqui comentadores que se esquecem que, já depois do Referendo de Junho de 2016, houve eleições gerais no Reino Unido.
    E que, se a decisão do referendo tivesse sido assim tão artificialmente forjada quanto a descrevem, o assunto ter-se-ia tornado numa prioridade de campanha nas eleições de Junho de 2017.
    Ora, foi mais do que evidente de que não aconteceu nada disso.
    Mais: aquilo que se observa para quem segue a actividade parlamentar britânica, é que o tópico (sair ou ficar na UE) é transversal aos dois grandes partidos políticos.

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