
Por muito que gostasse que o BREXIT voltasse atrás e se transformasse em BREMAIN, não concordo com quem defende um novo referendo.
Democraticamente o Reino Unido decidiu-se pelo BREXIT. A incompetência e incapacidade de quem entretanto, tem estado à frente da negociação com a UE, a ambição de Theresa May que aceitou negociar aquilo em que não acredita, a cobardia e oportunismo de quem lutou pelo BREXIT e não assumiu as suas responsabilidades, não podem ser os argumentos para se repetir um referendo. Mas podem ser justificação para novas eleições em que os partidos clarifiquem o que farão quanto ao BREXIT, caso as vençam.
Se repetirmos referendos sempre que há manifestações e/ou incompetência de governantes, teremos que fazer já eleições em França a propósito dos vandalismos pseudomanifestantes dos coletes amarelos, e termos que referendar a interrupção voluntária da gravidez em Espanha, obedecendo à manifestação que ocorreu.
A democracia tem os seus ritos e as suas regras. O recurso ao referendo não pode ser usado para reverter a própria democracia representativa.
O principal problema é que 100% dos eleitores, que votaram Leave, sabem que foram enganados. Deixaram-se levar pelas promessas de quem queria a Inglaterra como offshore financeira e onde as empresas pagavam 0,00000000000005% dos impostos que pagariam em condições normais. Com as regras europeias, transpostas para a lei inglesa (e o fim das offshores a 1 de Janeiro de 2016, onde estavam, a módica quantia de, 183700000 milhões de libras), gerou revolta de um grupo de liberais que as usavam para tudo. A ideia deles era o Stay ganhar por 51-49. Nem os próprios imaginaram que os britânicos era tão burros que acreditassem que a Inglaterra ainda é um império do século XVIII. Foi por isso que saltaram fora, não quiseram liderar a saída (como Nigel Farage que tanto mentiu e falsificou dados, na primeira oportunidade pirou-se e continua como deputado no Parlamento Europeu, não querendo assumir um gabinete ministerial para cumprir o que prometeu), deixando um mundo de condições que prejudicam a Inglaterra, seja em que situação for. Caso a saída aconteça sem acordo, 85% das universidades britânicas fecham portas no dia seguinte, por falta de fundos financeiros... e o governo tem menos de 1% de autoridades aduaneiras, para gerir importações e exportações. Durante 3 a 8 anos, a Inglaterra vai afundar-se de tal forma que os próprios líderes estão em pânico... só que, a nível da finança, a ideia é que 100000 ou mais mortes, obriguem ao regresso ao grupo europeu, nem que seja em pactos ao estilo dos países escandinavos, com a defesa da Libra já estar abaixo de 20 cêntimos do euro.
ResponderEliminarSubscrevo na íntegra o seu postal.
ResponderEliminarO problema reside mesmo no facto de o Brexit estar a ser negociado por alguém que não terá votado nele e que sabe bem as suas consequências.
Que saiam, hard ou soft, e que aprendam na pele as consequências de uma campanha cheia de mentiras a favor da saída. Talvez sirva de vacina contra o populismo de farage, johnson & Co.
Depois, se quiseram voltar, organizem outro referendo.
Ha um detalhe no meio desta tragédia que eu continuo a não entender.
ResponderEliminarA decisão de deixar a UE foi "democraticamente" decidida no primeiro referendo, defendem o Brexiters, apesar haver evidências de que este processo foi manipulado.
Se assim é, até que ponto podemos considerar "democrática" uma decisão tomada na base de mentiras e omissões? E, porque não agora (que o ingleses estarão supostamente melhor informados) considerar outras opções ?
O problema é que ninguém pode assegurar se há ou não arrependimento da parte daqueles que votaram BREXIT. E mesmo que haja, isso não é argumento para repetir o referendo - há imensa gente que se arrepende de votar em quem votou no dia seguinte às eleições. Nigel Farage mentiu mas também se podem apontar mentiras a vários decisores políticos sem que se repitam de imediato as votações. Há um beco sem saída e, por isso, as instituições democráticas terão que funcionar - eleições para o parlamento e que clareza nas soluções preconizadas durante a campanha, para que os cidadãos possam votar.
ResponderEliminarAs evidências não desencadearam, de qualquer das partes, a impugnação dos resultados de forma a iniciar algum processo em que se provasse que o referendo não tinha sido votado em liberdade.
ResponderEliminarHá aqui comentadores que se esquecem que, já depois do Referendo de Junho de 2016, houve eleições gerais no Reino Unido.
ResponderEliminarE que, se a decisão do referendo tivesse sido assim tão artificialmente forjada quanto a descrevem, o assunto ter-se-ia tornado numa prioridade de campanha nas eleições de Junho de 2017.
Ora, foi mais do que evidente de que não aconteceu nada disso.
Mais: aquilo que se observa para quem segue a actividade parlamentar britânica, é que o tópico (sair ou ficar na UE) é transversal aos dois grandes partidos políticos.