12 maio 2018

Nada sabemos

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Fredrik Raddum


 


 


Nada sabemos dos outros de nós


das cinzas das almas da lama dos nós


de tudo do tanto que todos queremos


nada sabemos e nada podemos.


 


Nada seremos se nada sonharmos


de luz no tempo do amor que calarmos


de tudo do tanto que nunca quisermos


nada seremos se nada fizermos.

08 maio 2018

E voltando ao que é verdadeiramente importante

A nossa canção é milhares de vezes melhor que qualquer das outras!


 


Republicação

A propósito do artigo que Fenanda Câncio escreveu no DN, só posso republicar o que escrevi há 2 anos:


 


À Fernanda Câncio, e a todos os que prezam a sua privacidade e o respeito pela sua dignidade, a minha total solidariedade.


 


Respeito a coragem por publicar este artigo de opinião, sabendo a matilha de raiva que se atiçaria, mais uma vez, contra si. É muito triste e até assustador, assistir a explosões de tanto ódio.


 


Calculo que, como eu, muitos se sentem enganados e envergonhados por tudo o que, até agora, o próprio Sócrates já disse e desdisse sobre si próprio, e no que isso demonstra do seu carácter. Mas nada justifica nem desculpa os constantes atropelos à justiça, as fugas de informações cirúrgicas, as manchetes, o arrastar na lama do próprio e de todos os que com ele se relacionaram, tal como dos que criticam o justicialismo a que temos assistido. Também não devemos confundir o seu governo e as suas políticas com o facto, caso se prove, de ser um criminoso, ele ou outros.


 


Não sei a razão pela qual, repentinamente, o PS resolveu defrontar-se com o problema Sócrates. Mas era inevitável que acontecesse, e em qualquer momento iria ser duro e muito doloroso.

02 maio 2018

Da fabricação de factos políticos

Mais uma vez, desta vez pela mão do Público, um título bombástico sugere que houve destruição intencional de provas e documentos sobre os focgos de Pedrógão Grande, tendo vindo já o Presidente da República acenar com a eventual matéria criminal. No entanto, se lermos o corpo da notícia:


 


(...) Esta é uma situação que decorre, dizem alguns comandantes ao PÚBLICO, da falta de meios para trabalho num posto de comando, uma vez que estes planos são desenhados e redesenhados conforme o evoluir da situação. Acrescentam os auditores que este caso mostra a necessidade de investimento "no plano informático" que guarde informação, o que não acontece actualmente. No terreno, as situações tácticas (SITAC) vão sendo desenhadas num plástico ou acrílico colocado por cima de uma carta militar, e quando se desenha a mais recente, a anterior é apagada. Alguns comandantes vão guardando fotografias desse trabalho, mas no incêndio de Pedrógão, de acordo com os auditores, isso não aconteceu.


Já os restantes planos e informações vão circulando entre os responsáveis, mas de acordo com o relatório da DNAF, que foi revelado em parte pela RTP em Novembro, os documentos em papel que os suportavam terão sido destruídos. Este é apenas um dos detalhes que a auditoria revela e que mostram que há vários pontos amadores no combate a incêndios em Portugal. (...)


 


... parece que a destruição das ditas provas é um procedimento decorrente da falta de meios informáticos, e não com a intenção deliberada de impedir qualquer investigação.


 


Também voltámos às acusações de ocultação de relatórios. O governo diz que está em segredo de justiça. Em que ficamos?


 


Tudo isto é muito triste.

29 abril 2018

Dona Rosinha a Solteira ou a linguagem das Flores

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Ontem fui ao Teatro Meridional ver esta peça de Federico García Lorca.


 


Mas entrar na melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo é sempre uma experiência única, em que tudo se transforma para acolher os espectadores como se fossem velhos amigos. O café e o chá à nossa espera com uma fatia de bolo, cadeiras, mesas e luzes que convidam a uma intimidade simpática e não intrusiva, peças de mobília que nos colocam dentro de um cenário, fazendo dos presentes actores.


 


Por vezes acontecem revezes e inesperados contratempos, como foi o caso de ontem. Um problema na electricidade, devidamente explicado por Miguel Seabra, atrasou o início da representação, para quem não se importou de esperar, que foi a quase totalidade dos presentes. Entretanto, Natália Luíza distribuiu folhas com poemas de Federico García Lorca, no original e traduzidos por Ruy Belo e Eugénio de Andrade. A pouco e pouco, seguindo-se a ela, várias pessoas declamaram os poemas, criando um ambiente de partilha das palavras e da sua melodia, ecoando por dentro de nós a ressonância de sentimentos, que fizeram do tempo de espera um novo espectáculo.


 


A peça fala da espera, da esperança e do desespero, da resiliência e da fuga à realidade, de mulheres e dos homens que as cercam e enganam, das decisões e dos confinamentos a que nos condenamos, do arrastar da memória e do despojamento final. Fios que se esticam e partem, bordados que se desfiam e morrem, numa linguagem de flores.


 


Três mulheres, três épocas. As luzes, os movimentos, a música, o alternar da leveza e da crua realidade, Dona Rosinha a Solteira, ou a linguagem das flores, é uma peça do início do século XX que continua a ser actual.


 


Nunca é demais ir ao Meridional. Preparem-se já para a próxima, que estreia a 9 de Maio.


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A Morte de Estaline


 


 


O mais impressionante, neste filme, é que é quase hiper realista. Muitos dos episódios, se não todos, mesmo que compactados e em épocas distintas, são verdadeiros. É uma comédia negra que, a partir de situações cruéis, vividas por seres humanos capazes de todos os horrores e sujeitos a tudo o que de grotesco acontece a todos, as mostra nas suas facetas ridículas e absurdas.


 


A maldade, a perfídia, a estupidez, a ambição, o medo, a cobardia, tudo está lá, enrolado numa comédia negra e aterradora. Excelente e muito didáctico, sobre Estaline e sobre a condição humana.

Das crendices travestidas de ciência

 


Para a mentira ser segura


e trazer profundidade


tem de trazer à mistura


qualquer coisa de verdade.


António Aleixo


 


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Prova Oral


 


 


O mais triste é que este tipo de pessoas, que usam muito bem as palavras e se socorrem da ciência, quando lhes interessa, para a acusarem de estar refém das indústrias e dos interesses económicos, mascarando os seus próprios interesses ou as suas crenças (gosto particularmente da Desintoxicação Plantar Electrolítica e da Hidrocolonoterapia - uma forma elegante e pseudocientífico de dizer clisteres, muito em voga no tempo de Molière) - não opiniões baseadas em estudos e factos - são capazes de arrebanhar seguidores. E são perigosíssimos, como podemos ver pelo exemplo da recusa da vacinação e pela adopção de padrões de consumo que não têm qualquer base para se afirmarem melhores que outros.


 


As tais confrarias e embustes da malévola indústria, a que os médicos, triste gente influenciável e pouco inteligente, que não vê a luz do colesterol nem a alcalinização do corpo, foram aquelas que, em menos de um século, permitiram um aumento da esperança e da qualidade de vida inigualáveis nos séculos anteriores, em que a leitura das entranhas do animais e dos desenhos das nuvens ditavam a medicina.


 


Em medicina, como noutras ciências, há muita coisa que já foi aceite como verdade e que agora não o é, porque a própria investigação científica assim o demonstrou, não porque os ventos do norte ou do sul tenham trazido a água do mar para nos hidratar de conhecimento. Confundir a abordagem completa dos doentes com mambojambo é má fé ou loucura.


 


Informemo-nos, estudemos e saibamos pensar e criticar. O conhecimento é o inimigo de todas as fraudes.


 


PS - Um dia, alguém que muito me ensinou na minha especialidade, a propósito da discussão do diagnóstico de um caso, em que havia várias pessoas que votavam num - o errado - e uma que votava noutro - o certo - disse que a medicina, e a ciência em geral, não era uma democracia. Ou seja, não há debates nem opiniões, há evidências e demonstrações.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...