01 dezembro 2017

Voar


 Xutos e Pontapés


 


Eu queria ser astronauta


o meu país não deixou


Depois quis ir jogar á bola


a minha mãe não deixou


Tive vontade de voltar a escola


mas o doutor não deixou


Fechei os olhos e tentei dormir


aquela dor não deixou.


 


Ó meu anjo da guarda


faz-me voltar a sonhar


faz-me ser astronauta ...e voar


 


O meu quarto é o meu mundo


o ecrã é a janela


Não choro em frente á minha mãe


eu que gosto tanto dela


Mas esta dor não quer desaparecer


vai-me levar com ela


 


Ó meu anjo da guarda


faz-me voltar a sonhar


faz-me ser astronauta....e voar


 


Acordar meter os pés no chão


Levantar e dar o que tens para dar


Voltar a rir, voltar a andar


Voltar Voltar


Voltarei


Voltarei


Voltarei


Voltarei

Prosas Bíblicas - Livro 1

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(…) Leiamos, então, as Prosas Bíblicas de Maria Sofia Magalhães, organizadas em três “livros”, dos quais o primeiro ocupa cerca de metade do conjunto e avulta como aquele em que sentimos mais intensamente a carga misteriosa que o ilumina. Quando digo “carga misteriosa”, uso o adjectivo sem uma conotação demasiado espiritual, já que, embora estes poemas mostrem um inegável pendor místico desde a abertura – “Senhor Deus a fome é tua / Que alimento sem querer / Raiva fria alma crua / Corpo em vida a perecer” –, as imagens que neles encontramos descem muitas vezes à nossa natureza de seres humanos, i.e., seres terrestres na sua materialidade. (…) 


O HUMANO E O DIVINO - Fernando Pinto do Amaral - prefácio de Prosas Bíblicas


 


1.


Senhor Deus a fome é tua


Que alimento sem querer


Raiva fria alma crua


Corpo em vida a perecer


 


Senhor Deus a tua sede


Banha ombros a quem sente


Penitência de quem pede


Incerteza de quem mente


 


Senhor Deus não tenho rumo


Com a tua direção


Numa prece te consumo


Sem te dar o meu perdão


 


Livro 1 (pág. 15)

30 novembro 2017

Prosas Bíblicas - Biblioteca Camões (2)

Não sei se pelo nome do livro, mas São Pedro resolveu brindar-nos com um fim de tarde de temporal e trânsito infernal, correspondendo a tantas preces que há tantos dias todos faziam.


 


Mas nem assim se desmobilizou a manifestação de carinho com que me brindaram, a mim e a todos os responsáveis pela concretização de mais esta aventura - Graça Morais, que cedeu a imagem para a capa e contracapa, Fernando Pinto do Amaral, que prefaciou e o apresentou, José Teófilo Duarte, pela edição e realização gráfica, Natália Luíza, que lhe deu voz,e Manuel d'Oliveira, que lhe emprestou música e encanto.


 


Foi um fim de tarde inesquecível. Muito obrigada a todos, com um agradecimento especial à Biblioteca Camões e a Lithales, o nosso anfitrião e autor das fotos.


 


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Prosas Bíblicas - Biblioteca Camões (1)

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Falta-nos um dilúvio, Senhor Deus, um dilúvio de palavras e de estrelas que nos acalentem e nos guiem. Faltam-nos cajados de serpentes e ramos de oliveira para remarmos na água turbulenta dos anseios, mergulhados nos corpos, nas mágoas, nos filhos, nas mulheres, nos homens, em todas as coisas vivas ou mortas com que nos brindas diariamente, pelos infinitos que não conhecemos com os finitos que nos impões, por capricho ou por castigo.


 


Faltam-nos os gestos, Senhor Deus, com que oferecemos os frutos da razão, entrincheirados nos ruídos do mundo, nas mais diversas necessidades desnecessárias a que nos obrigamos e acrescentamos, entulhando as almas de detritos e tédios supérfluos.


 


Falta-nos a terra, a chuva, a luz do pão da partilha, dentro dos círculos que traçamos para a quietude da revolta, para a tranquilidade das tempestades com que ciclicamente nos dilaceramos. Faltam-nos árvores e fios de prumo, as geometrias de um universo que vamos trilhando, horizontes desconhecidos de mãos, de olhos, do fogo lento no amor que nos negamos.


 


Sobram-nos espaços de solidão em que o silêncio rasga os leitos e as janelas de tantos outonos cobertos da cinza do abandono, rugas que cavam o tempo, caminhos que se encurtam de medo, de luto, de esquecimento.


 


E no entanto, Senhor Deus, cada olhar que retenho, cada abraço que aconchego, a cada voz que se eleva em miraculosos sons irrepetíveis, a cada mundo que habito apenas porque me dou, me dispo, me sonho, a cada verso que escrevo, vou percebendo que a enorme e misteriosa arte de te saber ausente e presente, não é mais que o holograma do meu pensamento, tão divino e inconcebível como o mais humano dos seres.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...