Citadela de Biche
A Europa é isto mesmo, passear do Luxemburgo para França, de França para a Alemanha, da Alemanha para França de novo, sem passaportes, alfândegas e polícias, sem trocar de moedas, sem trocar de carro, etc. É já difícil lembrarmo-nos de como era antes de existir um espaço comum, em que há livre circulação de pessoas e bens.
Deambulando pela região de Saar ou de Sarre, conforme em Alemão ou Francês, passando por Sarreguemines, uma vila mesmo junto à fronteira franco-alemã, parámos para uma pausa de chocotat chaud aux menthe. Arrancando depois pela Forêt des Voges até Bitche que descobrimos por acaso, mas com uma citadela lindíssima e uma vista deslumbrante pela região. O senhor que vendia os bilhetes e nos deu explicações sobre a visita era luso descendente e, com um grande sorriso e uma extraordinária amabilidade, falou-nos em português, desculpando-se pela sua insuficiência, que era inexistente, e pelo seu carregado sotaque.
O almoço foi despachado num Kebab, nome de restaurante que não engana nas origens, onde servem umas saladas muito interessantes, a muito bom preço, e que respeitam (mais ou menos) os rigorosos limites dietéticos. Vi várias pessoas irem buscar sanduíches e pratos de kebab para almoçarem noutro local. Sempre que falamos dos imigrantes esquecemo-nos rapidamente como eles se inserem nas nossas comunidades, nos nossos hábitos e nas nossas necessidades, nomeadamente a nível gastronómico.
Continuando até Climbach, onde ficaríamos para visitarmos o Forte de Schoennenourg, passamos por várias aldeias/ vilas que pareciam desertas. Nem vivalma na rua, mesmo com as casas de tipo alsaciano cuidadas, com os jardins e as sebes arranjadas, cortinas nas janelas, enfim, parecia que algum extraterrestre as tinha raptado.
O mesmo em Climbach. Localizámos o Hotel, parámos o carro e batemos à porta (fechada) várias vezes. Nada, ninguém, silêncio absoluto, fora e dentro. Demos a volta ao edifício, uma casa com a arquitectura típica desta zona, muito bem arranjada, mas com aspecto abandonado. Batemos nas traseiras, uma e outra vez, e nada. Mais uma vez temendo o desastre, decidimos telefonar ao Hotel. Atendeu-nos uma senhora a quem dissemos que estávamos à porta.
Lá nos abriram, com grandes desculpas e sorrisos, uma senhora já com alguma idade e, talvez, um pouco dura de ouvido. Escalámos as escadas e todos os nossos receios se desvaneceram – lindíssimo quarto, confortável, com uma banheira daquelas que quase precisa de livros de instruções, cama grande, tudo espaçoso e acolhedor.
Com grandes suspiros de alívio, preparámo-nos para encontrar a linha Maginot.